Agro

Preços do mamão sobem após cinco semanas de quedas consecutivas

Clima ameno no Espírito Santo e na Bahia reduz o ritmo de colheita nos pomares e impulsiona a recuperação das cotações no mercado doméstico

Da redação

DA REDAÇÃO

25/08/2026 • 15:43 • Atualizado em 25/08/2026 • 15:43

Entenda os motivos do encarecimento do mamão no varejo nacional
Entenda os motivos do encarecimento do mamão no varejo nacional - Foto: Reprodução/Freepik

As cotações do mamão havaí registraram alta nos principais centros de distribuição do país nos últimos dias, interrompendo uma trajetória de cinco semanas consecutivas de desvalorização. O movimento de valorização decorre de uma combinação entre a menor disponibilidade da fruta nas praças produtoras e o reaquecimento da procura nos pontos de venda, segundo levantamento da equipe de Hortifrúti do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Nas semanas anteriores, as temperaturas elevadas registradas nas regiões de cultivo vinham acelerando o desenvolvimento das lavouras. Essa condição climática ampliou a oferta do mamão no mercado interno em um curto espaço de tempo, o que provocou o recuo acumulado nos preços pagos aos produtores rurais.

O cenário começou a mudar recentemente com a chegada de temperaturas mais amenas, especialmente durante a noite, nos principais polos produtores do país . As noites mais frias reduzem o metabolismo fisiológico das plantas, o que desacelera o processo de maturação dos frutos diretamente nos pomares e diminui o volume diário enviado para a colheita.

As praças do Norte do Espírito Santo e do Sul da Bahia sentiram os efeitos imediatos dessa transição térmica. Ambas as regiões concentram as maiores áreas de plantio da variedade havaí no território nacional e abastecem feiras, sacolões e redes de supermercados em todas as regiões brasileiras.

Impacto do clima na oferta e nas cotações

Com a desaceleração no amadurecimento, os produtores passaram a colher lotes menores e mais espaçados. Essa contenção natural no fluxo de envio aliviou a pressão de oferta nos atacados e entrepostos, permitindo uma reação imediata nos valores praticados por quilo ou por caixa da fruta.

Além da retração na entrada de mercadorias, o aumento gradual na procura por parte dos consumidores e varejistas auxiliou na sustentação da alta. O mamão havaí, conhecido pelo tamanho compacto e sabor adocicado, voltou a ter maior saída após o período de ajustes de estoque nos canais de comercialização.

A valorização representa um alívio pontual para a rentabilidade do setor produtivo. Nas semanas anteriores de queda, as margens dos fruticultores foram pressionadas pelos custos logísticos e de insumos, que exigem cotações firmes para cobrir as despesas operacionais da colheita e do frete.

Perspectivas para o final de agosto e início de setembro

Para o fechamento de agosto e o início de setembro, as previsões meteorológicas indicam a continuidade de marcas térmicas amenas no Norte capixaba e no Sul baiano. Caso essa tendência se confirme, a colheita continuará em ritmo controlado, sem excesso de produto pronto para corte nas lavouras.

De acordo com os pesquisadores do Cepea, essa estabilidade climática deve manter a oferta de mamão havaí regulada nos próximos dias. Esse equilíbrio temporário entre produção e consumo pode favorecer novas reações positivas nas cotações, mesmo que ocorram de maneira breve e moderada.

O comportamento do mercado atacadista continuará dependente da evolução das temperaturas nas próximas semanas. Caso ocorram novas ondas de calor nas praças do Sudeste e do Nordeste, o amadurecimento pode voltar a acelerar, o que exigirá novo monitoramento por parte de produtores e distribuidores em todo o país.

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