Jornal da Band

Com quase 600 mortos, Nepal recusa ajuda internacional após tragédia

País registra 2.000 desaparecidos e enfrenta risco de novas inundações

Da redação

DA REDAÇÃO

28/08/2026 • 23:01 • Atualizado em 28/08/2026 • 23:01

Em meio ao caos e à urgência extrema para encontrar sobreviventes sob metros de lama, o governo do Nepal recusou formalmente a ajuda e a presença de equipes estrangeiras de busca e salvamento em seu território. O país já acumula quase 600 mortos e 2.000 desaparecidos desde a avalanche gigante que provocou inundações em diversos pontos do país e do Tibete, na China.

A recusa do Nepal em aceitar equipes estrangeiras de busca e salvamento ocorre em um momento em que a assistência técnica e operacional externa poderia ser crucial. Embora os detalhes sobre as motivações do governo não tenham sido detalhados, a rejeição de forças de resgate internacionais contrasta com a dimensão da tragédia e o desespero de governos estrangeiros e familiares das vítimas.

Enquanto equipes especializadas de fora são barradas, comunidades no exterior tentam mobilizar-se de forma independente. Em Londres, por exemplo, cidadãos britânicos de origem nepalesa organizam campanhas de arrecadação de fundos para apoiar as vítimas. Paralelamente, governos ocidentais acompanham a situação de perto: o Reino Unido confirmou estar em contacto contínuo com as autoridades da China e do próprio Nepal para monitorar a situação de seus cidadãos.

Operações de resgate no limite

Os trabalhos das equipes locais de socorro têm sido uma corrida de obstáculos extremamente perigosa. As buscas por sobreviventes, realizadas sob vários metros de lama, são frequentemente interrompidas pelo risco constante de novos desastres .

Recentemente, as operações tiveram de ser totalmente suspensas após um alerta crítico de que um lago, formado no alto da montanha devido ao bloqueio de rios provocado pela avalanche de quarta-feir a, h avia começado a transbordar . Moradores e socorristas foram obrigados a fugir temporariamente para áreas mais altas para escapar de uma potencial nova enxurrada. Os trabalhos só foram retomados após as autoridades descartarem o risco imediato de um rompimento da barreira do lago.

Apesar do perigo extremo, algumas operações de resgate têm alcançado desfechos heroicos. Na usina hidrelétrica da região, militares nepaleses realizaram um resgate extremamente delicado, rastejando por um túnel da usina para salvar 350 pessoas . Contudo, a aflição dos familiares continua alta, já que cerca de 100 trabalhadores permanecem presos no interior da estrutura. Em outras partes do vale, helicópteros trabalham para resgatar pessoas que ficaram completamente ilhadas pela enxurrada.

Drama humano e busca por respostas

A tragédia possui uma dimensão internacional significativa, dado que a região afetada é um conhecido polo de turismo e peregrinação religiosa. A maioria das vítimas estava integrada em grupos turísticos ou de peregrinação quando a torrente de lama e água os atingiu.

Dezenas de cidadãos estrangeiros continuam desaparecidos, incluindo muitos britânicos. A força da avalanche foi tamanha que corpos de vítimas têm sido localizados a quilómetros de distância, no território vizinho da Índia, onde o rio afetado deságua .

Para os familiares, a falta de informações oficiais e a lentidão na atualização das listas de desaparecidos geram uma angústia profunda. Muitas pessoas reclamam que os nomes de seus entes queridos ainda não constam nos registos governamentais. Uma mulher residente nos Estados Unidos desabafou sobre a falta de notícias de seu marido, afirmando não ter recebido qualquer atualização das autoridades nas últimas 48 horas.

No entanto, no centro deste cenário de dor, surgem raros momentos de esperança. Em um dos hospitais da região, uma mãe conseguiu reencontrar o seu filho de apenas 8 anos, que sobreviveu à avalanche ao escalar e se segurar no topo de uma árvore.

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