
Os preços do feijão, que já vinham em uma tendência de alta de preços devido à escassez de produto na entressafra, aumentou ainda mais em maio devido ao clima. De acordo com os pesquisadore do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), a alta atinge tanto o feijão carioca quanto o preto. O fenômeno reflete as incertezas enfrentadas pelos produtores , especialmente na região Sul do Brasil.
O cenário de preços elevados no campo já começa a ser sentido na ponta final da cadeia. Os analistas do setor observam que as valorizações registradas para o produtor estão sendo repassadas de forma gradual ao consumidor final nos supermercados . Esse ajuste ocorre enquanto o mercado monitora os danos causados por quedas bruscas de temperatura nas principais áreas produtoras.
A alta é explicada tecnicamente pela "restrição de oferta", o que significa que há menos produto disponível para venda em relação à procura dos compradores. Quando o volume colhido diminui ou o acesso ao grão de qualidade fica difícil, a tendência natural é a elevação dos preços.
Para os consumidores, a saída é optar por outros tipos de feijões, como o vermelho ou branco.
Impactos climáticos e a colheita no Paraná
Atualmente, o Paraná concentra a maior parte da demanda de feijão no país. O estado vive o ritmo de colheita, mas o processo enfrenta desafios operacionais devido ao excesso de chuvas em algumas regiões. Muitos grãos apresentam o que os técnicos chamam de "elevada umidade".
Essa condição obriga os produtores a investirem no processo de secagem. O uso de secadores industriais é necessário para retirar o excesso de água do feijão antes que ele seja armazenado ou ensacado. Esse procedimento gera custos adicionais de energia e logística, o que contribui para pressionar os preços para cima na origem.
Além disso, o movimento de cautela entre os agentes do mercado aumentou consideravelmente após o registro de geadas. O fenômeno ocorreu no início da semana nas regiões produtoras do Sul do Brasil. A geada acontece quando o vapor de água próximo ao solo congela, formando uma camada de gelo que pode queimar as folhas e comprometer o desenvolvimento da planta.
Avaliação de perdas em áreas de baixada
As geadas atingiram com maior intensidade as chamadas "áreas de baixada" . Essas zonas são regiões de relevo mais baixo onde o ar frio, por ser mais denso, costuma se acumular com facilidade durante a madrugada. O impacto direto nessas lavouras ainda está sob avaliação minuciosa por parte de agrônomos e pesquisadores.
A incerteza sobre o volume total da safra que poderá ser aproveitada mantém os compradores em alerta. Enquanto os prejuízos reais não são contabilizados, a oferta permanece limitada. O Cepea reforça que a conjuntura atual favorece a manutenção de preços firmes no curto prazo para os dois principais tipos de feijão consumidos no Brasil.
O setor agora aguarda a estabilização do clima para definir o rumo das cotações nas próximas semanas. A expectativa é que o ritmo de colheita no Paraná e a confirmação da extensão dos danos no Sul determinem se o feijão continuará em trajetória de alta para o bolso do consumidor. Como o feijão é um item essencial na cesta básica, qualquer variação nos custos de produção no campo gera reflexos imediatos nos índices de inflação de alimentos.
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