
Os preços do feijão e do café apresentam movimentos opostos e intensos no mercado brasileiro neste encerramento de maio e início de junho . Enquanto o feijão registra altas acumuladas de até 37%, o café recua devido à perspectiva de uma produção histórica.
Os dados foram levantados pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) , com base em informações de mais de 100 corretoras associadas em diversas regiões produtoras. No Porto de Paranaguá (PR) , a saca de 60 quilos do feijão-preto disponível atingiu o patamar de R$ 228,00.
Entressafra e clima pressionam o feijão
De acordo com o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe) , o mercado do feijão-carioca enfrenta atualmente o chamado ciclo de entressafra . Este termo técnico refere-se ao período entre o fim de uma colheita e o início da próxima, quando a oferta do produto no mercado diminui naturalmente.
Para o feijão-preto, o Brasil segue dependente da importação vinda da Argentina para complementar seus estoques internos. Marcelo Eduardo Lüders, presidente do Ibrafe, explica que fatores climáticos adversos agravaram a situação das cotações.
"A seca registrada em Goiás e Minas Gerais, somada às geadas ocorridas no Paraná, impulsiona os preços com força neste momento", avalia Lüders. No Oeste da Bahia, a alta acumulada no mês de maio chegou a 22%.
Preços devem recuar no segundo semestre
Apesar do susto atual para o bolso do consumidor, a tendência de alta não deve se sustentar nos próximos meses. O presidente do Ibrafe ressalta que o cenário deve mudar em cerca de 30 dias.
A previsão é que a entrada da terceira safra do feijão-carioca no mercado normalize o abastecimento. Com o aumento da oferta, a expectativa é que os preços retornem a patamares mais baixos ao longo do segundo semestre de 2026.
Safra recorde derruba cotações do café
Em uma direção completamente oposta , o café registra quedas acentuadas . Em Guaxupé (MG), importante polo cafeeiro, o recuo mensal nas cotações ultrapassa os 15%, com a saca de 60 quilos do café arábica cotada a R$ 1.568,00.
Em Franca (SP), o movimento é semelhante, com queda próxima a 15% e saca registrada a R$ 1.570,00. O principal motivo para este recuo é a combinação do início da colheita com a perspectiva de uma safra recorde no Brasil.
Segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira para o ciclo 2026/27 está estimada em 66,7 milhões de sacas. O volume representa um crescimento de 18% em comparação ao ano de 2025.
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