Agro

Preço da batata sobe 26% e coloca alimentos como os vilões da inflação

Grupo Alimentação e Bebidas lidera as altas de preços em maio, impactado pelo aumento nos preços de tubérculos e hortaliças

VIVIANE TAGUCHI

27/05/2026 • 14:35 • Atualizado em 27/05/2026 • 14:35

A entressafra da batata fez a produção cair e as chuvas também impactaram a oferta
A entressafra da batata fez a produção cair e as chuvas também impactaram a oferta - Foto: Reprodução

O IBGE divulgou nesta quarta-feira (27) o IPCA-15 de maio , que registrou alta de 0,62%. O grupo Alimentação e Bebidas foi o principal protagonista do período, apresentando a maior variação (1,38%) e o maior impacto individual no índice geral, com 0,30 ponto percentual.

Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio foi pressionada por itens básicos da cesta de consumo. O destaque negativo ficou para a disparada nos preços de tubérculos e hortaliças, que pesaram no orçamento das famílias brasileiras.

Vilões da cesta básica

A batata-inglesa foi considerada o grande vilão do bolso do consumidor em maio. O tubérculo registrou uma alta expressiva que ultrapassou a marca dos 26%. Além da batata, outros itens essenciais apresentaram variações significativas no período.

Confira os principais aumentos registrados no grupo Alimentação e Bebidas:

A batata-inglesa, um dos itens de maior peso na mesa dos brasileiros, liderou isoladamente a pressão inflacionária no setor de alimentos. O tomate e o leite longa vida também mantiveram a tendência de alta, dificultando o controle de gastos domésticos.

Entressafra e chuvas

Os preços da batata aumentaram muito nas últimas semanas devido à entressafra e o clima. Nesta terça-feira (26), a batata comum lavada foi cotada a R$ 164,87 por saca de 50 kg, uma alta de 3,91% em relação à semana anterior. Agrônomos apontam que, além do fator sazonal, o excesso de chuvas em ciclos anteriores prejudicou tanto o volume disponível quanto a qualidade do produto, pressionando os custos da cesta básica.

A produção nacional de batata concentra-se na região Centro-Sul do país. Os estados de Minas Gerais , Paraná e São Paulo são os maiores produtores. Já as regiões como o sul de Minas, Curitiba (PR) e o Sudoeste Paulista são fundamentais para garantir o abastecimento desses estados e do entorno.

Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e do Cepea confirmam a volatilidade acentuada dos preços neste ano. Os patamares atuais superam significativamente os valores registrados no mesmo período do ano passado.

Para o consumidor final, a tendência é que o preço permaneça elevado até que a oferta da safra de inverno se normalize nas próximas semanas.

Alívios e outros impactos

Apesar da pressão generalizada no grupo de alimentos, alguns produtos registraram queda nos preços, o que ajudou a segurar um avanço ainda maior do índice. A maçã apresentou recuo de 2,32%, enquanto o café moído registrou queda de 2,09%.

Outro ponto de alívio veio da alimentação fora do domicílio. O setor apresentou desaceleração, passando de uma variação de 0,70% em abril para 0,51% em maio de 2026.

Além dos alimentos, o resultado de maio foi influenciado pelo grupo Habitação, que subiu 1,03%. O principal motor desse aumento foi a energia elétrica residencial, com alta de 2,16%. A elevação ocorreu devido à entrada em vigor da bandeira tarifária amarela, que adiciona um custo extra nas contas de luz dos consumidores.

Embora o IPCA-15 de 0,62% represente uma desaceleração em relação aos 0,89% de abril, o acumulado de 12 meses atingiu 4,64%. O valor superou o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período.

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