Agro

Preço do leite dispara no supermercados, mas produtores ainda recebem pouco

Alta é impulsionada pela queda na captação no campo e custos de produção, tornando o produto um dos principais vilões da inflação no início do ano

VIVIANE TAGUCHI

15/04/2026 • 14:42 • Atualizado em 15/04/2026 • 14:42

Após meses de estabilidade, preço do leite sobe, mas apenas para o consumidor
Após meses de estabilidade, preço do leite sobe, mas apenas para o consumidor - Foto: Reprodução/Agro+

Os brasileiros estão sentindo no bolso a alta de um dos produtos essenciais, o leite. Após meses de estabilidade, os preços do leite dispararam no primeiro trimestre e o produto compôs a lista de “vilões” da inflação de março, medida pelo IPCA. Mas, afinal, por que o preço do leite está subindo em 2026?

Esta alta é explicada por um movimento de correção do setor, após um ano marcado por preços baixos , somado à sazonalidade climática que prejudicou a qualidade das pastagens no início deste ano .Estes fatores forçaram as indústrias a pagarem mais pelo leite cru para garantir o abastecimento de suas linhas de produção.

Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que o valor pago ao produtor (Média Brasil) subiu 5,43% em fevereiro de 2026, atingindo R$ 2,1464 por litro . Este movimento consolidou a virada de preços iniciada logo em janeiro, quando houve uma alta de 0,9%.

Os produtores enfrentam uma crise no setor, após receberem pagamentos que não pagava o custo da produção. O setor também optou por reequilibrar o mercado, reduzindo a captação nas fazendas para forçar as indústrias a pagarem preços melhores. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) do Cepea recuou 3,6% entre janeiro e fevereiro de 2026 . Estados como Minas Gerais, São Paulo e Goiás sentiram de forma mais aguda essa menor oferta de matéria-prima.

O reflexo para o consumidor final foi imediato. O grupo "Alimentação e Bebidas" subiu 0,88% no IPCA de março de 2026, e o leite foi um dos itens com maior pressão inflacionária no período. Além do leite longa vida, derivados como queijos e iogurtes também registraram reajustes.

Apesar da subida recente, analistas do setor ressaltam uma nuance importante de mercado: o valor nominal atual (R$ 2,1464) ainda está cerca de 25,45% abaixo do registrado em fevereiro de 2025 em termos reais, quando os dados são ajustados pela inflação. Isso indica que o movimento atual é, em grande parte, uma recuperação de margens perdidas pelos pecuaristas no ano passado.

Custos de produção e fatores externos

O custo de produção para o pecuarista continua sendo um desafio. O Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira subiu 0,32% em fevereiro. Embora o preço do milho (principal insumo da ração) tenha caído, outros custos operacionais mantiveram a pressão sobre os produtores.

No cenário internacional, fatores como o Acordo Mercosul-União Europeia e a concorrência com o leite importado de países vizinhos, como Argentina e Uruguai , continuam sendo um grande problema para os produtores rurais. Essas importações funcionam como um teto para os preços nacionais, impedindo altas ainda mais agressivas, mas também gerando pressão estrutural sobre o produtor brasileiro.

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