
O fenômeno El Niño , aquecimento das águas do Oceano Pacífico, deve chegar com força no Brasil a partir de maio, alertam meteorologistas do mundo inteiro. A ocorrência já era prevista desde o início do ano, mas as possibilidades de formação aumentaram nas últimas semanas. De acordo com os órgãos de meteorologia, o fenômeno pode ter uma maior intensidade neste ano e, por isso, já está sendo chamado de “El Niño Superpoderoso”, com anomalias térmicas de até 2ºC.
Atualmente, o Brasil atravessa uma fase de neutralidade climática, típica do outono. No entanto, a transição para o fenômeno a partir de maio já coloca em alerta produtores rurais para a finalização da colheita da safra de verão e o planejamento da safra 2026/2027, que tem início a partir de setembro em regiões importantes como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.
Impactos climáticos esperados nas regiões
De acordo com projeções da NOAA (agência oceânica e atmosférica dos EUA) e do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), o El Niño alterará o regime de chuvas em todas as regiões brasileiras . No Norte e Nordeste, espera-se uma redução drástica nas precipitações, elevando o risco de seca severa.
Em contrapartida, o Sul do Brasil deve enfrentar excesso de chuvas , o que aumenta o risco de enchentes e prejuízos às lavouras. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, a tendência é de aumento das temperaturas médias, com ondas de calor, e chuvas irregulares ao longo do segundo semestre .
A transição climática afeta a etapa final da colheita da soja , que atinge 67,7% da área nacional plantada, em torno de 83 milhões de hectares, segundo dados da Conab. Além disso, o desenvolvimento do milho segunda safra, conhecido como safrinha , entra em um período crítico de definição de produtividade.
O risco de veranicos — períodos de estiagem com calor intenso durante a estação chuvosa — e temperaturas acima da média podem acelerar o ciclo das plantas. Esse estresse térmico e hídrico tende a prejudicar o enchimento de grãos e a qualidade final do produto.
A pressão sobre a safra e a logística de transporte, afetada por extremos climáticos, pode elevar o risco inflacionário nos alimentos devido à quebra de oferta . O acompanhamento das atualizações meteorológicas é essencial para o manejo agrícola e para a segurança alimentar no país, visto que o pico de intensidade deve ocorrer entre agosto e outubro de 2026.
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