Agro

Paraná projeta queda na safra de feijão em 2026

Estados que é o maior produtor nacional de feijão deve colher 11,5% a menos na próxima temporada devido ao desestímulo de preços

Da redação

DA REDAÇÃO

22/12/2025 • 18:20 • Atualizado em 22/12/2025 • 18:20

Feijão carioca é a variedade mais consumida no Brasil e está sustentando preços neste fim de ano
Feijão carioca é a variedade mais consumida no Brasil e está sustentando preços neste fim de ano - Foto: Sebastião de Araújo/Embrapa

O mercado de feijão brasileiro apresenta um cenário de sustentação de preços nesta reta final de ano , contrariando a menor movimentação de negócios registrada na última semana. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) , o destaque fica para o feijão carioca , que conseguiu manter suas cotações firmes mesmo diante de uma liquidez reduzida no comércio atacadista.

Já para o feijão preto, o comportamento foi misto, com variações de preços distintas dependendo da região produtora analisada. No entanto, o foco das atenções de produtores e analistas começa a se voltar para o campo, onde a colheita da nova safra e as projeções para 2026 indicam mudanças importantes na oferta do alimento básico do brasileiro.

Carioca em alta: entenda a qualidade

No caso específico do feijão carioca, as altas prevalecem no mercado físico. O levantamento dos pesquisadores chama a atenção para um detalhe técnico: as variações mais intensas de valorização ocorreram nos feijões de notas comerciais entre 8,0 e 8,5.

Esses grãos, considerados de qualidade intermediária a boa, tiveram um desempenho de preço comparativamente melhor do que os tipos "premium" (notas superiores). Isso indica uma busca do mercado por um produto de boa qualidade, mas com custo-benefício ajustado para o empacotador e o consumidor final.

Enquanto as negociações seguem, os agentes de mercado monitoram o ritmo das lavouras. Em São Paulo, a colheita está em sua reta final, encerrando o ciclo de oferta do estado. Já no Paraná, as máquinas estão começando a entrar em campo para a colheita, marcando o início da entrada de uma nova leva de grãos no mercado.

Alerta no Paraná: produção deve cair

O Paraná, que detém o título de maior produtor nacional de feijão e foi responsável por mais de 25% de toda a oferta brasileira nas últimas quatro safras, traz números preocupantes para o ciclo 2025/26.

Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), indicam que a produção agregada do estado deve somar 744,6 mil toneladas na próxima temporada. Se confirmado, esse volume representará uma queda expressiva de 11,5% em comparação à safra 2024/25.

Segundo a análise dos pesquisadores do Cepea, essa redução não é fruto do clima, mas sim de uma decisão econômica do produtor. As cotações registradas ao longo de 2025 não foram atrativas o suficiente para cobrir margens de lucro confortáveis, o que acabou desestimulando o plantio do grão. O agricultor, diante de preços baixos no passado recente, optou por reduzir a área ou migrar para outras culturas mais rentáveis, como a soja ou o milho.

Impacto na mesa do consumidor

A projeção de quebra de safra no Paraná acende um sinal amarelo para o abastecimento em 2026. Sendo o estado o principal "fornecedor" do país, uma redução de mais de 11% na sua oferta pode pressionar os preços para cima nos supermercados ao longo do próximo ano, caso outras regiões não compensem essa falta.

O mercado agora aguarda o avanço da colheita paranaense para confirmar se a produtividade em campo confirmará as estimativas ou se haverá surpresas que possam equilibrar a balança de oferta e demanda.

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