
Uma operação de fiscalização realizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) resultou na apreensão de mais de 21 toneladas de café torrado e moído em Curitiba (PR). A ação, deflagrada no início deste mês, mirou cargas irregulares adquiridas por meio de compras públicas.
Segundo o governo federal, os fiscais recolheram embalagens de 500 gramas de diversos lotes. As análises laboratoriais classificaram parte do material como imprópria para o consumo humano devido ao alto teor de sujeira misturada ao pó.
Nos lotes já analisados, o exame identificou a presença de "matérias estranhas e impurezas" em um volume quatro vezes superior ao limite de 1% estabelecido pela legislação vigente. Os demais lotes permanecem retidos preventivamente até a conclusão das análises.
O que foi encontrado no café
Além do volume principal de 21 toneladas, a fiscalização atuou em outras frentes na região metropolitana de Curitiba e em um órgão público federal na capital. O cenário encontrado pelos auditores revela diferentes tipos de fraude que lesam o consumidor e o cofre público:
Excesso de impurezas: Em uma das ações, foram apreendidos 1.500 pacotes onde a sujeira ultrapassava em mais de sete vezes o limite legal. Esses produtos foram condenados e encaminhados diretamente para destruição.
Rotulagem falsa: Os fiscais identificaram a ausência de informações obrigatórias sobre a espécie do café (arábica ou robusta).
Selos falsificados: Houve o uso indevido de selos de qualidade de entidades associativas, o que caracteriza informação enganosa, induzindo o comprador a acreditar que leva um produto certificado.
Entenda a regra: O que são impurezas?
Para garantir a qualidade da bebida que chega à mesa do brasileiro, o Ministério da Agricultura define regras rígidas através da Portaria SDA nº 570/2022 . Pela norma, o café torrado e moído pode ter, no máximo, 1% de impurezas e matérias estranhas .
Matérias estranhas: Detritos que não são da planta de café, como grãos de outros vegetais, areia e pedras.
Impurezas: Elementos da própria planta de café que não deveriam estar ali em excesso, como cascas, paus (pediúlos) e torrões.
Quando o laudo aponta níveis 3, 4 ou 7 vezes acima desse limite, significa que o consumidor está pagando por café, mas levando peso extra em madeira, casca e detritos, o que altera drasticamente o sabor e a qualidade da bebida, além de configurar fraude.
Cerco fechado no Paraná
Os números da fiscalização mostram que o problema é recorrente. Somente neste ano de 2025, as operações realizadas no Paraná já resultaram na apreensão de 40 toneladas de café torrado e moído irregular. Esse volume equivale a cerca de 80 mil pacotes tradicionais (almofada ou vácuo) de 500 gramas que deixaram de chegar às xícaras dos consumidores ou repartições públicas contendo fraudes.
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