Agro

Exportações de carne bovina para a China devem cair 10% com fim da cota

Sem ter para onde direcionar volumes que seriam vendidos para a Ásia, carne pode "sobrar" no Brasil e manter preços estáveis

VIVIANE TAGUCHI

05/05/2026 • 22:11 • Atualizado em 05/05/2026 • 22:11

Cota de exportação para a China deve chegar ao limite em julho
Cota de exportação para a China deve chegar ao limite em julho - Foto: Wenderson Araújo/Trilux

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) projeta uma retração de até 10% nas exportações totais de carne bovina brasileira para o ano de 2026. O freio nos embarques, previsto para o segundo semestre, é motivado principalmente pelo esgotamento iminente da cota de exportação para a China, destino que absorve quase metade da produção nacional.

De acordo com Roberto Perosa, presidente da Abiec, o Brasil atingirá em breve a marca de 50% do volume permitido para o gigante asiático. Devido ao tempo logístico de transporte, o esgotamento real da cota deve ocorrer no início de julho. A situação forçará frigoríficos a alterarem o ritmo de produção já nas próximas semanas para evitar excedentes sem destino garantido.

Para Perosa, a estratégia das indústrias precisa ser antecipada. Segundo o executivo, os frigoríficos devem paralisar o abate destinado especificamente à China entre o final de maio e o início de junho. Ele afirma, ainda, que o setor entra em um período de cautela. A dependência do mercado chinês é o ponto central da preocupação: em 2025, dos 3,5 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil, cerca de 1,7 milhão tiveram a China como destino.

Para a Abiec, não há, no curto prazo, substitutos à altura para o volume chinês. Embora países como Estados Unidos, Indonésia e Filipinas apresentem potencial de crescimento, a demanda dessas nações ainda é insuficiente para compensar a ausência temporária da China como compradores de carne bovina.

Busca por novos mercados

Diante desse gargalo nas exportações, a Abiec intensifica articulações com o governo federal para diversificar a pauta de vendas externas . As negociações incluem a tentativa de ampliar a cota de importação nos Estados Unidos e acelerar acordos com Coreia do Sul, Japão e Turquia. No entanto, entraves sanitários tornam esses processos lentos.

A limitação nos embarques deve gerar reflexos diretos no mercado brasileiro. Com a China temporariamente fora das compras, a tendência é que o excedente da proteína seja redirecionado para o consumo interno.

Este aumento na oferta pode alterar a dinâmica de preços nos açougues e supermercados, o que favorece o bolso do consumidor nacional. Por outro lado, o cenário pressiona as margens de lucro de produtores rurais e frigoríficos que operam com foco exclusivo no mercado externo.

Cotas de carne para a China

No fim do ano passado, o governo da China estabeleceu um sistema mais rigoroso de cotas anuais para a importação de carne bovina. A medida afeta todos os países que exportam carne bovina para o país e entrou em vigor no dia 31 de dezembro de 2025.

Para o Brasil, um dos principais fornecedores de carne para os chineses, a cota foi estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. No ano passado, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas para o país asiático. Caso o Brasil ultrapasse essa barreira quantitativa, as vendas excedentes passam a ser tributadas com uma sobretaxa elevada, o que encarece o produto brasileiro e reduz a competitividade diante de outros fornecedores globais.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: