
O governo brasileiro e o setor produtivo de proteína animal intensificam as negociações com a União Europeia para reverter a suspensão de exportadores nacionais da lista de fornecedores autorizados pelo bloco. O impasse central não envolve a qualidade do produto, uma vez que o Brasil já atende às normas europeias, mas sim a necessidade de garantias mais robustas sobre a fiscalização do não uso de antimicrobianos proibidos em território europeu.
Segundo explica Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil já não utiliza as substâncias questionadas e respeita rigorosamente os limites de resíduos permitidos.
No entanto, a Comissão Europeia demanda um entendimento mais detalhado sobre como o governo brasileiro executa a fiscalização desse processo na ponta da cadeia produtiva.
Ações do governo e impacto no mercado
Diante do cenário, o Ministério da Agricultura, sob a gestão do ministro Andrade de Paula, já determinou a criação de um protocolo específico para atender às exigências europeias. Representantes do governo brasileiro mantêm contato direto com a missão diplomática em Bruxelas para esclarecer os pontos pendentes e demonstrar a conformidade dos processos sanitários nacionais.
As exportações de carne bovina, aves e ovos seguem o fluxo normal até o dia 3 de setembro. O setor produtivo trabalha com a expectativa de que este prazo seja suficiente para formalizar as garantias exigidas e evitar qualquer interrupção efetiva no embarque das mercadorias.
Apesar do alerta gerado no setor, Ricardo Santin ressalta que não se espera um reflexo imediato nos preços das carnes para o consumidor brasileiro. Como o fluxo de vendas externas permanece ativo durante o período de negociação, o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico não sofreu alterações.
Relevância das exportações para a Europa
A União Europeia é um parceiro comercial estratégico, representando entre 4% e 6% do volume total das exportações brasileiras de proteína animal. O crescimento da demanda europeia pelo produto brasileiro é notável: enquanto no ano passado a média mensal de exportações foi de 19 mil toneladas, este ano o volume saltou para 30 mil toneladas por mês.
O objetivo das autoridades e da ABPA é garantir que a segurança sanitária do Brasil seja devidamente reconhecida para manter a fluidez desses números. O Jornal da Band acompanha o desenrolar das conversas diplomáticas, que devem ser intensificadas nas próximas semanas para assegurar a permanência do Brasil como um dos principais fornecedores globais do bloco europeu.
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