O governo brasileiro e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) intensificam as negociações com a União Europeia para reverter a exclusão do Brasil da lista de exportadores de carnes. A medida, motivada por novos padrões europeus sobre o uso de antimicrobianos em animais, tem previsão para entrar em vigor em 3 de setembro. Segundo Sueme Mori, diretora de relações internacionais da CNA, a lista divulgada pelo bloco ainda é considerada temporária, pois não foi publicada no Diário Oficial da União Europeia.
A mobilização brasileira ocorre em frentes diplomáticas e técnicas. Houve uma reunião recente com a embaixadora da União Europeia no Brasil para expressar a preocupação do setor produtivo e buscar soluções que evitem a interrupção do comércio.
Sueme Mori esclarece que o problema não possui natureza sanitária, mas refere-se à exigência de garantias de que os exportadores brasileiros cumpram os novos critérios de rastreabilidade e controle de medicamentos veterinários estabelecidos pelo bloco.
Articulação técnica e defesa do sistema agropecuário
O Ministério da Agricultura e Pecuária define o tema como prioridade e trabalha para acelerar as conversas com a Direção-Geral da Saúde e da Segurança Alimentar (DG Santé), o órgão técnico da União Europeia.
Luiz Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, ressalta que o fluxo de proteínas animais para a Europa segue normal no momento e que o Brasil possui um sistema de defesa agropecuária sólido, consolidado por mais de 40 anos de parceria comercial com o bloco.
Para Luiz Rua, o Brasil deve ser tratado como um parceiro estratégico, especialmente após os sinais positivos recentes sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia. O secretário demonstra otimismo em relação a uma resolução rápida, acreditando que o fornecimento de dados técnicos detalhados será suficiente para restabelecer a confiança europeia nos protocolos brasileiros.
Entre as propostas apresentadas pelo governo brasileiro está a criação de protocolos específicos para cada tipo de proteína. A estratégia considera que cadeias produtivas diferentes apresentam estágios distintos de maturidade no controle do uso de antimicrobianos. Sueme Mori reforça que, no cenário atual, não há impacto direto para consumidores ou importadores devido ao caráter preventivo da discussão e ao prazo estabelecido para o segundo semestre.
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