Agro

Por quê a Argentina declarou que não vai comprar carne de frango brasileira

Argentina, Chile e Uruguai anunciam suspensão preventiva a compra de produtos agrícolas produzidos no RS

VIVIANE TAGUCHI

17/05/2025 • 13:39 • Atualizado em 17/05/2025 • 13:39

Foco da gripe aviária no RS está distante 620 km da fronteira com a Argentina
Foco da gripe aviária no RS está distante 620 km da fronteira com a Argentina - Foto: Reprodução

Os países do Mercosul, Argentina, Chile e Uruguai anunciaram a suspensão das exportações de carne de aves e subprodutos do Brasil, informou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, neste sábado (17). China e União Europeia já haviam anunciado a suspensão após a confirmação do caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul.

Na sexta-feira (16), o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina anunciou que o país deixará de importar produtos como carne de frango ou ovos produzidos e subprodutos do Rio Grande do Sul até que o estado obtenha o status livre de gripe aviária . O anúncio segue o mesmo protocolo anunciado pela China, que é o maior importador de carnes de frango do Brasil, e a União Europeia (UE). A medida é preventiva e vale para todos os produtos e subprodutos avícolas.

Neste sábado (17), o Mapa confirmou que Chile e Uruguai também suspenderam as compras, como medida preventiva.

A suspensão para a China ocorre automaticamente à notificação da doença na Organização Mundial de Saúde (OMS) e vale para todo o Brasil, não apenas para os produtos gaúchos. O protocolo zoosanitário do país determina que, em caso de notificações semelhantes, a suspensão das importações é imediata. O mesmo ocorreu em julho do ano passado, quando uma granja do Rio Grande do Sul registrou um caso de Doença de NewCastle e em 2023, quando um bovino foi diagnosticado com Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), a “Doença da Vaca Louca”. Além da carne de frango, a China também importa miúdos e, principalmente, pé de frango, considerado uma iguaria na Ásia.

Já no caso da Argentina, a preocupação também se deve à proximidade das fronteiras. Montenegro fica distante 620 quilômetros da fronteira com a Argentina. As autoridades locais afirmaram que estão tomando medidas de biossegurança e vigilância sanitária de estabelecimentos avícolas para reduzir o risco de ingresso.

Restrição regionalizada

O Mapa destacou que tem trabalhado para que as negociações de acordos sanitários internacionais com os países parceiros reconheçam o princípio de regionalização, preconizado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), restringindo a exportação aos 10 quilômetros de raio do foco. No entanto, pondera que os países adotam diferentes critérios de regionalização, que podem variar entre restrições locais ou regionais.

Japão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Filipinas, por exemplo, já aprovaram a regionalização para IAAP, o que deve evitar um impacto muito generalizado nas exportações. Depois da China, esses cinco países são os maiores compradores da carne de frango brasileira, respondendo, juntos, por 35,4% do total exportado em 2024, segundo ABPA.

Maior exportador de carne de frango do mundo, o Brasil vendeu 5,2 milhões de toneladas do produto, em diferentes formatos, para 151 países, auferindo receitas de US$ 9,9 bilhões. Mais de 35,3% de toda a carne de frango produzida no Brasil é destinada ao mercado externo. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram 78% dessas exportações.

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