As exportações do agronegócio brasileiro para o Oriente Médio enfrentam novos desafios logísticos após o fechamento do Estreito de Ormuz, motivado pela guerra na região. Para manter o fluxo de 60 mil toneladas mensais de carne de frango aos países do Golfo, principalmente a os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, exportadores estão adotando rotas terrestres via Turquia e outros portos vizinhos.
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita e estratégica situada entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico. Por ser a única via de acesso marítimo para países como Kuwait e Catar, seu bloqueio interrompeu o trajeto tradicional de navios que transportam grãos, açúcar, celulose e proteína animal.
Para contornar o problema, a logística brasileira agora utiliza portos na Turquia como porta de entrada . Após o desembarque em solo turco, as mercadorias seguem viagem por meio de trens ou caminhões até os destinos finais na Ásia Central e no Oriente Médio.
Outra estratégia adotada envolve o Porto de Sohar, em Omã, e o Porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos. Ambas as estruturas estão localizadas antes da zona de bloqueio do estreito. Nesses locais, a carga é descarregada e distribuída por terra, o que garante a chegada do produto, mas eleva os custos operacionais.
Impacto nos custos e volume de vendas
Apesar da complexidade das novas rotas, o setor projeta estabilidade no volume total exportado. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) revelam que o Brasil exportou 504 mil toneladas de carne de frango em março, uma alta de 6% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Entretanto, o impacto direto no comércio com o Oriente Médio já é visível. Houve um recuo de 18,5% nas vendas para a região na comparação entre março e fevereiro deste ano. O estado do Paraná mantém a liderança como principal exportador nacional, seguido por Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Parceria estratégica com o Oriente Médio
O cenário de guerra e bombardeios encarece o frete e o seguro das cargas. Segundo representantes do setor produtivo, cada empresa tem negociado individualmente os valores com transportadores e importadores para mitigar o prejuízo causado pelo aumento do tempo de transporte.
O Oriente Médio é o principal cliente internacional da avicultura brasileira, absorvendo mais de 30% de todo o volume exportado anualmente pelo país. Por essa razão, especialistas reforçam que o esforço logístico é prioridade para manter a parceria de longo prazo.
Mesmo com o aumento do custo "da porteira para fora", que engloba toda a movimentação do produto após sair da fazenda até o destino, a expectativa é de que não falte produto para os consumidores árabes. O setor acredita na continuidade das negociações, ainda que as mercadorias demorem mais dias para chegar às gôndolas internacionais.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
