Jornal da Band

Mulher detalha rotina de abusos cometidos por desembargador de MG

Em relato exclusivo, vítima descreve um ano e meio de investidas e violência física no gabinete do magistrado; outras quatro denúncias tramitam no CNJ

Alex Gusmão

ALEX GUSMÃO

17/04/2026 • 23:31 • Atualizado em 17/04/2026 • 23:31

O desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Magid Nauef Láuar , enfrenta graves acusações de assédio sexual e abusos que teriam ocorrido ao longo de sua trajetória na magistratura. Em entrevista exclusiva, uma ex-funcionária do Fórum de Betim detalhou uma rotina de perseguição e violência física que durou cerca de um ano e meio.

Além dela, outras quatro pessoas já denunciaram o magistrado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por crimes sexuais, incluindo uma ex-colega de trabalho e um sobrinho do próprio desembargador.

A vítima relata que conheceu Láuar em 2010, quando ele a convidou para uma vaga de trabalho sem identificar, inicialmente, sua função como juiz. O que começou com "cantadas" e convites inapropriados para viagens internacionais evoluiu para investidas físicas dentro do ambiente de trabalho. Segundo o depoimento, o magistrado aproveitava os momentos finais do expediente para tentar beijá-la e abraçá-la à força, ignorando as constantes negativas.

Relato de violência física no gabinete

A denunciante descreveu um episódio traumático ocorrido no gabinete de Magid Nauef Láuar, onde o magistrado teria agido com violência física. Ela relata que foi surpreendida pelo desembargador, que a tocou de forma invasiva e a prensou contra a parede na tentativa de forçar um beijo. A situação só foi interrompida após a vítima ameaçar gritar por socorro. Após o ocorrido, ela deixou o fórum em prantos e não retornou ao trabalho.

Colegas de trabalho da época chegaram a desconfiar do comportamento do magistrado e tentavam criar desculpas para evitar que ela entrasse sozinha na sala de Láuar. No entanto, o temor pela autoridade do magistrado impediu que denúncias formais fossem feitas naquele período.

Afastamento e remuneração acima do teto

Em fevereiro, o CNJ abriu um processo administrativo e determinou o afastamento de Magid Nauef Láuar de suas funções. O magistrado está proibido de acessar o tribunal e de utilizar benefícios como o carro oficial. Contudo, apesar do afastamento por suspeita de crimes graves, ele continua recebendo seus vencimentos integralmente.

Magid Nauef Láuar já havia sido alvo de críticas internacionais recentemente após decidir pela inocência de um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos, decisão que ele só revogou após intensa pressão pública. O CNJ informou que não pode comentar o atual processo de assédio, pois o caso tramita sob sigilo de Justiça.

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