Agro

Agro pressiona governo por aumento da mistura de biodiesel em combustíveis

Frente Parlamentar da Agropecuária e 43 entidades ligadas ao setor pedem aumento da mistura, de 15% para 17%

VIVIANE TAGUCHI

11/03/2026 • 21:39 • Atualizado em 11/03/2026 • 21:39

Soja é matéria-prima para a produção de biodiesel no Brasil
Soja é matéria-prima para a produção de biodiesel no Brasil - Foto: Wenderson Araújo/CNA

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) , a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e um grupo de mais de 40 entidades do setor intensificaram a pressão sobre o Governo Federal para elevar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel dos atuais 15% (B15) para 17% (B17).

A mobilização é motivada pela escalada de preços do petróleo devido a conflitos no Oriente Médio e pelo atraso no cronograma que previa o B16 para o início do mês. O setor argumenta que a medida reduz a dependência de importações e garante segurança energética durante o pico da colheita da safra de soja.

Segundo o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), o país precisa aproveitar seu potencial produtivo para ampliar a geração de energia a partir do próprio setor agropecuário. “Hoje o Brasil ainda importa cerca de 30% do diesel que consome. Em um cenário de instabilidade internacional, isso representa uma vulnerabilidade para a nossa economia. O agro tem capacidade de oferecer parte dessa solução, transformando biomassa em combustível e fortalecendo nossa segurança energética”, afirmou.

Lupion também destacou que o Brasil reúne condições técnicas e produtivas para ampliar o uso de biocombustíveis sem comprometer o abastecimento. “O Brasil já não é apenas uma potência produtora de alimentos. É também uma potência na produção de energia renovável. Ampliar o uso do biodiesel significa fortalecer a indústria nacional, reduzir a dependência externa e criar novas oportunidades para o setor produtivo”, disse.

Reduzir custos do agro

A CNA encaminhou um ofício ao Ministério de Minas e Energia (MME) em 6 de março de 2026, solicitando o salto direto para o B17 como forma de amortecer a volatilidade internacional do diesel. O agronegócio vê na medida uma ferramenta essencial para mitigar os custos logísticos no campo, especialmente em um momento de incerteza global.

Além do ofício, a FPA e as entidades divulgaram uma carta aberta defendendo o B17. O documento cita que a indústria brasileira possui capacidade instalada para atender a demanda e que o país corre riscos de desabastecimento em regiões específicas, como o Rio Grande do Sul, caso não haja um incentivo à produção interna.

Instituições como a Abiove, Aprobio e Ubrabio reforçam que as 58 usinas autorizadas no país têm capacidade para suprir até 22% de mistura (B22). Este dado valida a viabilidade técnica do pleito para os 17% imediatos, refutando teses de incapacidade de oferta.

O biodiesel, combustível renovável derivado de óleos vegetais ou gorduras animais, é visto pelo setor não apenas como um redutor de emissões, mas como um pilar da economia rural. A produção nacional é majoritariamente baseada na soja, o que vincula o sucesso do combustível ao desempenho das safras brasileiras.

Apesar do consenso no setor produtivo, a proposta enfrenta resistência na indústria automotiva (ANFAVEA) e em alas do Ministério de Minas e Energia, que defendem a realização de testes adicionais antes de ultrapassar o limite de 15%. O governo sinaliza que testes para misturas de até 20% podem ser concluídos apenas no meio de 2026.

A expectativa do mercado agora se volta para a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada esta quinta-feira (12).

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