Rádio Bandeirantes

Combustíveis sobem até 10% nos postos mesmo sem reajuste da Petrobras

Aumento de até 60 centavos na gasolina e no diesel levanta questionamentos de consumidores; governo pede investigação sobre possível cartel.

Por Redação

REDAÇÃO

11/03/2026 • 12:10 • Atualizado em 11/03/2026 • 12:10

Preço em alta da gasolina
Preço em alta da gasolina - Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

Motoristas em várias cidades do Brasil têm percebido um aumento significativo no preço dos combustíveis nos últimos dias, mesmo sem anúncio de reajuste por parte da Petrobras. Em muitos postos, a gasolina e o diesel ficaram entre 30 e 60 centavos mais caros, com alta média de 8% a 10%, especialmente em estados como São Paulo.

A situação tem gerado questionamentos entre consumidores, já que a Petrobras, responsável pelo fornecimento nas refinarias, não alterou recentemente os preços da gasolina, do diesel ou do etanol. Diante da repercussão, o governo federal acionou a Secretaria Nacional do Consumidor para que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investigue a possibilidade de formação de cartel entre postos de combustíveis.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o preço médio da gasolina no país passou de R$ 6,28 para R$ 6,30 na última semana — um aumento de apenas dois centavos. No entanto, a percepção nas ruas é de reajustes muito maiores, o que tem ampliado a desconfiança de consumidores.

No Brasil, os postos têm liberdade para definir os preços dos combustíveis, já que não existe tabelamento há décadas. Ainda assim, a elevação quase simultânea dos valores em diferentes estabelecimentos tem levantado dúvidas sobre a dinâmica do mercado.

Representantes do setor afirmam que os reajustes estão relacionados à necessidade de capital de giro. Segundo o sindicato que representa os postos, os empresários estariam elevando os preços agora para garantir recursos para comprar combustíveis no futuro, já que há expectativa de aumento no custo do produto.

A pressão sobre os preços também está ligada ao cenário internacional. O valor do barril de petróleo tem apresentado forte volatilidade e tendência de alta, especialmente em meio a tensões geopolíticas no exterior.

Nos últimos anos, a Petrobras abandonou o modelo de paridade de importação, que acompanhava automaticamente as variações do mercado internacional. Desde então, a estatal adota uma política própria de preços que leva em conta fatores como o mercado externo, custos de produção e condições internas.

A última alteração nos preços feita pela Petrobras ocorreu em janeiro, quando a gasolina teve redução de 5,2%. Ainda assim, muitos consumidores afirmam que a queda não foi totalmente percebida nas bombas.

Importadores de combustíveis afirmam que atualmente existe uma defasagem relevante entre os preços internos e os praticados no exterior. Segundo o setor, para igualar os valores ao mercado internacional, a gasolina deveria subir cerca de R$ 1,22 nas refinarias e o diesel aproximadamente R$ 2,74.

O diesel, por exemplo, está há quase um ano sem reajuste oficial nas refinarias. Em um contexto político e econômico sensível, especialmente em período eleitoral, o governo enfrenta o desafio de equilibrar a política de preços sem gerar pressão adicional sobre a inflação.

Enquanto isso, os consumidores já sentem o impacto direto nas bombas, pagando mais caro para abastecer mesmo sem anúncio oficial de reajuste por parte da Petrobras.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: