Produtores rurais do Paraná já sentem os efeitos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, com alta e risco de falta de diesel em plena colheita da soja e plantio do milho.
Risco de paralisação na cadeia de carnes
Na região, a concentração de frigoríficos de suínos e aves aumenta a preocupação com possíveis paralisações no transporte de animais e no abastecimento dos mercados interno e externo.
"“Daqui a pouco o produtor rural não vai ter suas aves e seus suínos recolhidos. Então isso começa a virar um caos nas nossas atividades”, afirma o agropecuarista Edio Chapla."
Produtores relatam também incerteza sobre a chegada de fertilizantes vindos do Oriente Médio, essenciais para as próximas safras, e sobre a continuidade das exportações brasileiras para a região.
Dependência do diesel no campo
Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) mostra que 73% da energia usada na agropecuária brasileira vem de combustíveis fósseis, principalmente o diesel.
"“A máquina sem combustível não vai poder colher e o produto que fica no campo, por não ter sido colhido na janela ideal, perde qualidade. Isso gera perdas ao produtor rural, que não consegue repassar esse custo porque é um tomador de preço. São impactos negativos à nossa agropecuária em função de um conflito com o qual o produtor não tem nada a ver”, analisa Luiz Eliezer, técnico econômico da Faep."
Oscilação do petróleo e política de preços
Desde o início do conflito e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota de cerca de 25% do petróleo mundial, o preço do barril tem oscilado. Nesta segunda-feira, chegou a US$ 120 e depois recuou, mas segue acima de US$ 70, patamar médio anterior à guerra.
Parte da gasolina e do diesel consumidos no Brasil é importada. Mesmo assim, a Petrobras ainda não repassou integralmente as altas e diz ter margem de manobra desde que, em 2023, deixou de seguir a paridade automática com o preço internacional.
Setor cobra fiscalização e gestão de estoques
Representantes do agronegócio questionam a alta do diesel nas bombas e pedem fiscalização mais intensa nos postos de combustíveis.
"“Temos cobrado do poder público e da ANP que avaliem oferta, demanda e estoques de diesel, para tentar fazer uma gestão e evitar que o mercado sofra um impacto de curtíssimo prazo, que pode afetar a vida de todo mundo”, ressalta Eliezer."
Com a colheita em andamento e a logística agrícola dependente do diesel, produtores temem que um choque prolongado no mercado de petróleo traga perda de renda, quebra de contratos e risco de desabastecimento de alimentos.
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