A agricultura familiar consolida-se como o pilar econômico do Oeste Paulista, especialmente na produção de melancia em assentamentos rurais na região de Presidente Prudente. Em Presidente Bernardes, famílias transformam lotes de reforma agrária em polos produtivos de alta eficiência. Um exemplo dessa dinâmica ocorre em uma propriedade de 17 hectares, onde 6 hectares são dedicados exclusivamente ao cultivo da fruta.
A produção local baseia-se em tecnologia e manejo rigoroso. Para garantir a qualidade da safra, os agricultores utilizam um sistema de irrigação gota a gota, essencial para o desenvolvimento da planta em períodos de estiagem.
Além disso, o controle de pragas é realizado em intervalos fixos de três dias, uma medida necessária para proteger as variedades Manchester e Braba, que são as principais apostas da região.
Diversidade de cultivo e viabilidade econômica
A melancia Manchester é reconhecida por ser uma fruta mais robusta e resistente a doenças, embora apresente um ciclo de colheita mais tardio. Já a variedade Braba mantém um nível de competitividade elevado em termos de volume de produção. Juntas, elas compõem a base da renda de muitas famílias assentadas; no caso visitado pela reportagem, a cultura representa 90% dos ganhos da propriedade.
A viabilidade desse modelo de negócio está diretamente ligada ao acesso facilitado à terra por meio dos assentamentos. Segundo o produtor local, o custo para adquirir uma área particular com a mesma qualidade de solo e abundância de água seria proibitivo, estimado em cerca de R$ 2 milhões.
Atualmente, o Oeste Paulista concentra o maior número de assentamentos do estado de São Paulo, somando 98 áreas que abrigam 5 mil famílias.
Sucessão familiar e suporte institucional
A continuidade do trabalho no campo é garantida pela sucessão familiar. Otávio, de 20 anos, exemplifica essa tendência ao aplicar o conhecimento obtido em sua formação como técnico em agropecuária diretamente na parceria com o pai.
A atuação técnica abrange desde o preparo inicial do solo até a logística de colheita, prevista para a segunda quinzena de maio.
O suporte institucional é realizado pela Fundação Itesp, que atua tanto na regularização fundiária das terras quanto no oferecimento de assistência técnica contínua aos produtores. Esse respaldo permite que a produção de melancia do interior paulista alcance mercados competitivos, tendo como principais destinos os centros de consumo de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
