O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário de vulnerabilidade estratégica diante do agravamento dos conflitos no Oriente Médio . Como um dos maiores produtores de alimentos do globo, o Brasil possui uma dependência externa de cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em suas lavouras, especialmente em regiões de solo naturalmente pobre em nutrientes, como o Cerrado. A instabilidade em rotas comerciais vitais, como o Estreito de Ormuz , coloca em risco o fornecimento de insumos essenciais para a produtividade nacional.
A produção brasileira de soja, milho e outras commodities depende fundamentalmente de três nutrientes: potássio, fósforo e nitrogênio. Atualmente, o potássio é importado majoritariamente do Canadá e da Rússia, enquanto o fósforo tem como principais fornecedores o Marrocos e também os russos.
O ponto de maior atenção no atual conflito reside nos nitrogenados, como a ureia, cujas importações brasileiras dependem de países como China, Rússia e, criticamente, o Irã.
Logística global e a explosão de preços
O fechamento ou a insegurança na navegação pelo Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, trava o escoamento de produtos de grandes exportadores da região. Segundo dados apresentados, o impacto é imediato e global: quando o fornecimento nessa região é interrompido, grandes compradores mundiais, como Índia, China e Europa, buscam mercados alternativos simultaneamente.
Essa corrida por fornecedores fora da zona de conflito faz os preços dispararem, uma vez que outros mercados não possuem capacidade produtiva para suprir a demanda global de forma imediata.
Apenas nos últimos dois meses, o preço da ureia registrou uma alta de 30%. Esse aumento reflete o peso econômico dos insumos no Brasil, que no último ano desembolsou quase R$ 125 bilhões para importar 45 milhões de toneladas de fertilizantes.
Consequências para a produção e inflação de alimentos
Para mitigar os altos custos, produtores rurais tentam adotar o uso racional de insumos, aproveitando a "poupança" de nutrientes deixada no solo em safras anteriores. Contudo, especialistas alertam que essa prática tem limite. Experimentos da Embrapa demonstram que a soja cultivada sem a nutrição adequada gera prejuízo financeiro.
O uso tecnológico de fertilizantes foi o que permitiu ao país saltar de uma produtividade de 40 para até 100 sacas por hectare desde a década de 1990.
O encarecimento da produção atual, que afeta o milho safrinha e a horticultura, deve ser repassado ao consumidor final. A expectativa é que a inflação de alimentos decorrente desses custos logísticos e de insumos seja sentida com maior intensidade nas prateleiras dos supermercados durante o segundo semestre de 2026.
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