Agro

Brasil enfrenta dependência de importação de fertilizantes, diz ex-ministro

Em entrevista, Antônio Cabrera alerta que custo dos insumos impacta inflação de alimentos e sugere exploração de reservas de potássio no Amazonas

Da redação

DA REDAÇÃO

05/05/2026 • 11:44 • Atualizado em 05/05/2026 • 11:44

O Brasil ocupa atualmente a posição de maior importador de fertilizantes do mundo , uma dependência estratégica que coloca o agronegócio nacional em uma posição de vulnerabilidade. De acordo com o ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, o insumo é o item que gera o maior volume de gastos na pauta de importações brasileira. A situação atual contrasta com o cenário de 1989, quando o país apresentava uma produção robusta e dependia pouco do mercado externo, mudança que Cabreira atribui ao descaso de gestões anteriores com o setor.

A crise na produção interna é agravada pela ineficiência do Plano Nacional de Fertilizantes. O ex-ministro ressalta que o plano não tem atingido os resultados esperados, citando como exemplo o fechamento recente de unidades fabris que eram responsáveis por cerca de 18% da produção nacional.

Esta retração na indústria doméstica obriga o país a buscar no exterior a "comida da planta", termo utilizado por Cabreira para definir a importância vital do fertilizante para o campo.

Impactos econômicos e soluções para o setor

A dependência externa reflete diretamente na mesa do consumidor.  O ex-ministro ressalta que fertilizante é considerado o "calcanhar de Aquiles" da produção agrícola brasileira. O alto custo de importação ou a instabilidade na oferta desses produtos provocam um efeito cascata que resulta na alta dos preços dos alimentos e na inflação no ano subsequente à safra.

Para reverter esse quadro, Antônio Cabrera defende a criação de uma "força-tarefa" governamental voltada para o aproveitamento das reservas minerais internas. A principal aposta seria a exploração da jazida de potássio localizada em Autazes, no Amazonas, o que poderia reduzir drasticamente a necessidade de compra do mercado internacional.

A urgência de uma solução doméstica é reforçada pela instabilidade geopolítica global. Tensões em regiões estratégicas, como as rotas comerciais no Estreito de Ormuz , causam volatilidade e fazem disparar os preços dos produtos NPK — que reúnem Nitrogênio, Fósforo e Potássio — essenciais para a produtividade das lavouras brasileiras

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