Saúde

Insulina no fisiculturismo? Entenda por que o hormônio é usado e os riscos

Buscas no Google dispararam após morte do atleta Gabriel Ganley; especialistas explicam o papel vital da substância e o perigo do uso para fins estéticos

Da redação

DA REDAÇÃO

25/05/2026 • 20:30 • Atualizado em 25/05/2026 • 20:30

Gabriel Ganley
Gabriel Ganley - Foto: Reprodução/Instagram/ganleygabriel

Nesta segunda-feira (25), o interesse dos brasileiros por temas de saúde e biologia registrou um pico atípico no Google. Entre as perguntas mais buscadas na plataforma, estão: " Por que fisiculturista toma insulina? ", " O que é insulina? " e " Mounjaro é insulina? ".

O fenômeno ocorre após a repercussão da morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos , que já havia relatado o uso de hormônios e episódios de mal-estar após aplicar a substância.

O caso acendeu um alerta sobre a banalização de medicamentos de alto risco em busca do "shape" extremo. Entenda, abaixo, o que é a insulina e por que o uso por pessoas saudáveis é considerado uma "roleta russa" pela medicina.

O que é a insulina e como ela funciona?

Diferente do que muitos pensam, a insulina é um hormônio polipeptídico vital produzido naturalmente pelo pâncreas, especificamente pelas células beta. Sua função principal é agir como uma "chave" que permite a entrada da glicose (açúcar) do sangue para dentro das células, onde será transformada em energia.

Biologicamente, o processo ocorre via sinalização de uma proteína chamada GLUT4, que abre as portas da célula para o banquete de açúcar. Sem ela, as células passam fome mesmo com o sangue cheio de glicose — o que caracteriza o diabetes.

Por que fisiculturistas tomam insulina?

No mundo do fisiculturismo, a insulina é cobiçada por ser o hormônio mais anabólico do corpo humano. Enquanto o termo "anabolizante" é popularmente associado a derivados da testosterona, o "efeito anabólico" refere-se a qualquer processo de construção de tecidos.

Atletas utilizam a insulina sintética para:

O perigo imediato: Hipoglicemia e Neuroglicopenia

O grande problema é que, ao contrário dos esteroides que podem levar anos para causar danos cardíacos ou hepáticos, a insulina pode matar em minutos.

Quando uma pessoa saudável aplica insulina sem o acompanhamento de uma dieta rigorosa em carboidratos, ela causa uma queda violenta de açúcar no sangue, chamada de hipoglicemia. O cérebro, que depende quase exclusivamente de glicose, começa a "desligar" — estágio conhecido como neuroglicopenia. Os sintomas incluem confusão mental, comportamento semelhante à embriaguez, convulsões, coma e morte súbita.

Mounjaro é insulina?

Uma dúvida recorrente nas buscas é a relação entre as novas "canetas emagrecedoras" e a insulina. A resposta é não: Mounjaro e Ozempic não são insulina.

Esses medicamentos (agonistas de GLP-1) atuam mimetizando hormônios intestinais que sinalizam ao pâncreas para produzir a própria insulina de forma controlada e apenas quando há glicose presente. O uso da insulina sintética diretamente por atletas é infinitamente mais instável, pois o hormônio age de forma independente da quantidade de comida ingerida, criando o risco letal.

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