
O relato da jornalista da Rede Globo, Ju Massaoka, que quase perdeu parte do nariz por conta do uso de PMMA, reacendeu as discussões sobre os riscos da substância em procedimentos estéticos. A repórter contou, em vídeo publicado nas redes sociais, que recebeu a aplicação do produto sem autorização durante um procedimento de correção no nariz realizado anos atrás. Recentemente, precisou passar por uma cirurgia delicada para retirada do material. Segundo ela, o quadro quase evoluiu para uma necrose da região nasal.
O que é o PMMA? Quais os riscos do uso para fins estéticos?
O Polimetilmetacrilato, conhecido pela sigla PMMA, é um componente plástico usado há décadas em diferentes áreas da saúde, como lentes de contato, implantes e cimento ortopédico. Na estética, ele passou a ser utilizado como preenchimento cutâneo, em uma consistência semelhante à de um gel.
Durante anos, o produto ganhou fama principalmente em procedimentos para aumentar volume corporal, especialmente nos glúteos e no rosto. A promessa de resultados permanentes ajudou a popularizar o PMMA, mas também fez crescer o número de complicações graves. Diferentemente de preenchimentos absorvíveis, o PMMA funciona quase como um “cimento” dentro do organismo: depois de aplicado, sua remoção pode ser extremamente difícil.
Um levantamento da Sala Digital, com base em dados do Google Trends, mostra como o tema movimenta a barra de pesquisas no Brasil. O país lidera o interesse global por buscas relacionadas à substância. Na sequência aparecem Paraguai e Portugal.
O comportamento dos usuários também revela onde está a maior curiosidade sobre o produto. “PMMA no glúteo” aparece como o termo mais pesquisado relacionado à substância, seguido por “PMMA no rosto”.
Já entre as perguntas mais feitas no Google, predominam dúvidas ligadas à segurança. “PMMA é perigoso?”, “PMMA é proibido?” e “PMMA é liberado pela Anvisa?” estão entre os questionamentos mais frequentes dos brasileiros.
O que diz a Anvisa
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o PMMA é classificado como um produto de classe IV — categoria de risco máximo. Isso significa que ele exige controle rigoroso e só pode ser utilizado em produtos registrados na agência.
Apesar da popularização estética, a agência não recomenda o uso para aumento de volume corporal ou facial. O produto é autorizado apenas para finalidades corretivas e reparadoras, como o tratamento de lipodistrofia — síndrome caracterizada pela alteração na distribuição de gordura corporal — em pacientes com HIV/aids e correção de deformidades corporais.
O órgão regulador também determina que a substância deva ser aplicada exclusivamente por médicos habilitados. Além disso, o paciente tem direito a receber etiquetas de rastreabilidade com informações sobre fabricante, lote e registro do produto, uma espécie de “RG” da substância aplicada no corpo.
O alerta ganhou força também entre entidades médicas. Sociedade Brasileira de Dermatologia, Conselho Federal de Medicina e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica incluíram o PMMA em uma lista de procedimentos invasivos que, segundo as entidades, devem ser realizados apenas por médicos.
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