O narcisismo é um transtorno de personalidade que ganhou a atenção dos brasileiros nos últimos 20 anos. Dados da Sala Digital , parceria da Band com o Google, mostram que o interesse de buscas no país pelo tema está em alta, com pico em 2023.
O tema foi destaque do programa Melhor da Tarde , com Catia Fonseca, que recebeu a psicóloga Taryana Rocha. Em entrevista à Sala Digital , a terapeuta integrativa, com foco em relações tóxicas, respondeu a algumas das principais dúvidas dos brasileiros no buscador nos últimos cinco anos.
Uma delas é, afinal, o que define um narcisista. “Uma pessoa narcisista, do lado de fora, pode parecer incapaz de assumir um erro e ser muito defensiva com relação à sua autoestima. Internamente, ela tem um jeito distorcido de perceber a realidade, sentindo-se profundamente atacada quando os outros apontam imperfeições, pois são hipersensíveis à crítica", afirma.
Segundo a psicóloga, uma pessoa narcisista reescreve acontecimentos, vendo-se como vítima e apontando o outro como abusador. “Narcisistas são hipersensíveis à crítica em relação à sua autoimagem e precisam forçar os outros a validá-las o tempo inteiro, pois não conseguem manter uma autoimagem positiva sozinhas.”
Os comportamentos de um narcisista podem variar. “Alguns podem ser mais arrogantes e dominantes, agindo de forma mais violenta, enquanto outros podem ser mais vulneráveis, com um jeito vitimista, necessitando constante atenção e acolhimento, o que nunca é suficiente devido ao vazio interno. Em essência, são pessoas difíceis de agradar, pois nunca se acham boas o suficiente.”
No geral, de acordo com Taryana, o transtorno de personalidade é caracterizado por um padrão generalizado de grandiosidade, necessidade de adulação e falta de empatia. “Pacientes têm dificuldades para regular a autoestima e, portanto, precisam de louvação e afiliações com pessoas ou instituições especiais; eles também tendem a desvalorizar outras pessoas para manter uma sensação de superioridade.”
Como identificar comportamentos narcisistas nas relações?
O narcisismo possui critérios diagnósticos, que focam em comportamentos explícitos, como a arrogância, a inveja e a exploração do outro. “Isso, porém, não explica o mundo interno do narcisista. Um modelo diagnóstico alternativo sugere que narcisistas são hipersensíveis à crítica e não conseguem se regular de dentro para fora, precisando que os outros façam isso por eles", explica Taryana Rocha.
É preciso se atentar, porém, para não confundir atitudes normais dos seres humanos com um possível comportamento narcisista. “Todos nós temos defesas narcísicas, mas nessas pessoas, elas dominam absolutamente a personalidade. O transtorno de personalidade narcisista é um transtorno mental mais grave que requer tratamento.”
Uma forma de identificar o comportamento narcisista em uma relação é olhar para o próprio sentimento. “É comum sentir-se extremamente culpado por coisas que não se entende. Não importa o quanto se tente agradar, parece haver uma distorção constante da realidade, levando à confusão e culpa. A relação se torna marcada por um ciclo de reforço intermitente, com momentos bons esporádicos que fazem a pessoa lutar para retornar à idealização inicial, o que nunca acontece.”
Como lidar com pessoas narcisistas?
Outra pergunta muito feita pelos brasileiros sobre o assunto nos últimos cinco anos no Google é “como lidar com narcisista”. Segundo a psicóloga Taryana Rocha, há dois métodos diferentes, dependendo se há ou não esforço da pessoa para reconhecer e mudar seu comportamento.
“Em casos onde não há como escapar e não há perspectiva de melhora, é necessário preencher sua vida com coisas nutritivas fora daquele ambiente. Com a pessoa narcisista, não se deve compartilhar nada que ela possa usar contra você, como momentos bons (para evitar inveja) ou vulnerabilidades (para evitar manipulação). Também não se deve pedir favores, pois eles serão cobrados caro. Essa abordagem é chamada de ‘método pedra cinza’, onde se esvazia o relacionamento e não se conta com a pessoa para nada, mantendo-a distante de suas emoções", afirma.
Se a pessoa estiver buscando tratamento e houver possibilidade de melhora, a imposição de limites pode ajudar. “É importante comunicar-se de forma não violenta, expressando como o comportamento da pessoa afeta você e buscando alternativas de interação. Sem limites claros, não é possível ter um relacionamento minimamente saudável com alguém no espectro do narcisismo.”
Por fim, a terapia pode ser um bom caminho para ajudar uma pessoa com o transtorno psicológico a tratar sua condição. “É preciso identificar qual necessidade emocional dessa pessoa foi negada e satisfazê-la no vínculo terapêutico. Convidar o paciente a entender que a forma de agir do passado não funciona mais no presente, e puxar a pessoa para a auto responsabilidade para mudar seu comportamento no agora.”
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