Receitas

Culinária afro-brasileira atinge recorde de buscas no Brasil e reafirma força cultural

Interesse por pratos como feijoada, acarajé e vatapá cresce no Google Trends e revela um apetite coletivo por história, identidade e sabor

Babi Fava

BABI FAVA

05/08/2025 • 13:57 • Atualizado em 05/08/2025 • 13:57

Feijoada, culinária afro-brasileira
Feijoada, culinária afro-brasileira - Foto: Freepik

A comida é muito mais do que sustento, carrega memória, identidade, afeto e, no Brasil, também é sobre resistência. Entre todos os sabores que compõem a mesa nacional, poucos são tão marcantes quanto os da culinária afro-brasileira. Um legado ancestral que, como mostram os dados, está mais vivo do que nunca.

A Sala Digital, em parceria com o Google, analisou as tendências de busca no país e confirmou: o interesse por essa gastronomia bateu recorde no Google Trends em 2023, com pico em novembro, durante o Mês da Consciência Negra. A movimentação nas pesquisas revela mais do que curiosidade: aponta para uma conexão crescente com as origens afrodescendentes que moldaram os pratos mais amados do Brasil.

Sabores que contam uma história

As raízes da culinária afro-brasileira não estão só nos ingredientes, mas nas histórias por trás de cada prato. Durante o período da escravidão, muitas mulheres negras, mesmo em condições extremas, usaram a cozinha como forma de resistência. Com a venda de bolos, mingaus, peixes fritos e acarajés, conseguiram conquistar a alforria de seus parentes — transformando a comida em ferramenta de liberdade.

Pode-se dizer que essa herança emocional permanece viva em cada receita, cada aroma, cada panela no fogo. Comer é também lembrar, reconhecer, valorizar.

Ingredientes que despertam o paladar (e o interesse)

O levantamento do Google Trends mostra os protagonistas dessa história sendo redescobertos com força. O leite de coco, por exemplo, lidera o ranking. De origem africana e indiana, é essencial em pratos como moquecas e vatapás, trazendo cremosidade e doçura à mesa. Em segundo lugar está o feijão-de-corda, reforçando a presença nordestina na culinária afro-brasileira. É nutritivo, versátil e carrega o sabor da simplicidade. Logo após, aparece a pimenta-malagueta. E, a seguir, o azeite de dendê, que é também um símbolo da cozinha afro-baiana. É mais do que um óleo: é identidade, cor, intensidade. Marca registrada de pratos como acarajé, moqueca e caruru.

Pratos que conquistaram o Brasil

Entre os pratos mais buscados, a feijoada lidera com folga. Embora existam versões que apontam para uma origem portuguesa, cada vez mais estudiosos reconhecem o protagonismo da cultura afro na criação do prato, adaptado com o que restava nas senzalas e transformado em celebração coletiva.

Na sequência, brilham o acarajé e o vatapá, dois ícones da Bahia que carregam espiritualidade, história e afeto. O acarajé, por exemplo, tem origem noàkàrà, bolinho iorubá frito no azeite de dendê e vendido até hoje por mulheres vestidas de branco nas ruas do Brasil.

Esses dados mostram que a culinária afro-brasileira deixou de ser um nicho e se consolida como força central da gastronomia nacional. Um repertório que influencia restaurantes, feiras, programas de TV e até as buscas na internet. A culinária afro-brasileira é um convite: a provar, a aprender, a se emocionar. Na próxima vez que um desses pratos estiver no seu prato, saiba que, além do sabor, há memória.

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