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Diretor do Corinthians sobre dívida de R$ 2,5 bi: "É resolvível"

Pedro Silveira, que comanda o departamento de finanças do clube, ressaltou a gravidade da situação, mas pontuou que o Timão ampliou suas receitas e que é possível equalizar as contas do alvinegro

RÁDIO BANDEIRANTES

22/04/2025 • 16:27 • Atualizado em 22/04/2025 • 16:27

O ex-CEO Internacional da XP Investimentos e atual diretor financeiro do Corinthians , Pedro Silveira, concedeu uma entrevista exclusiva à Rádio Bandeirantes e explicou a atual situação econômica do clube de Parque São Jorge.

Atualmente, o alvinegro divulgou seu balanço financeiro de 2024 com um déficit contábil de R$ 182 milhões. De acordo com Silveira, a maior parte do débito contabilizado no primeiro ano da gestão Augusto Melo, trata-se da inclusão de um pagamento de dívidas de ISS (Imposto Sobre Serviços), na ordem de R$ 190 milhões.

Questionado sobre a possibilidade do clube pagar suas dívidas, atualmente na casa dos R$ 2,5 bilhões, Pedro afirmou não ser um endividamento que o assuste, por ser uma dívida pagável.

"Não estou apavorado, é uma dívida resolvível. Essa dívida não me assusta. [...] O que o Corinthians tem de muito grave é um problema de fluxo de caixa no curto prazo. São dívidas muito altas, vencendo o tempo inteiro. Temos organizado essas dívidas de uma maneira a procurar prazos", disse.

Parte do plano de Silveira para equalizar as dívidas incluem a homologação do plano coletivo na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) - que protege o clube de sanções desportivas - e o Regime Centralizado de Execuções.

No último ano, o Corinthians pagou quase R$ 350 milhões em juros, do financiamento da Neo Queímica Arena e de bloqueios judiciais. "É um problema muito grave. Existem soluções. O Corinthians tem muita receita, tem patrimônio. A gente não pode ficar com essa dívida toda sem buscar soluções para diminuí-la no curto prazo", completou.

Possível solução

Uma das possibilidades, segundo o diretor financeiro, é abrir um fundo imobiliário da Neo Química Arena, para que haja uma venda temporária de uma porcentagem do estádio  a fim de quitar a dívida com a Caixa Econômica Federal.

"Existe uma medida que é muito normal, ainda mais em época de juros altos, que se chama desalavancagem. É, eventualmente, vender um pedaço do seu patrimônio, por um tempo, ninguém está falando de vender para sempre, para reduzir a dívida e não pagar juros tão altos", explicou.

"Hoje o Corinthians paga para usar o estádio. Pago um juros de quase R$ 100 milhões. O lucro do estádio não é de R$ 100 milhões por ano. Ou seja, estou pagando para usar o estádio. Conseguiria através de um fundo imobiliário, levantar um valor alto, quitar essa dívida com a Caixa e reduzir drasticamente essa quantidade de juros que pagaria por ano. É uma solução de curto prazo excelente para o Corinthians", continuou.

Questionado sobre um prazo para que o Corinthians pague suas dívidas e organize seu fluxo de pagamentos, Pedro Silveira disse acreditar que no médio prazo o Timão esteja com as contas controladas.

"Se for fazer só austeridade, só o básico, no mínimo em quatro ou cinco anos. Se fizer um fundo imobiliário, que vem inclusive da gestão passada, levaria muito menos tempo. Em dois ou três anos conseguiríamos equalizar as contas", concluiu.

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