Jornalismo

Entenda a reação do mercado ao ‘tarifaço’ de Trump

Quedas em bolsas de valores indicam receio do mercado, mas especialista pontua que apenas tempo irá indicar recuo da economia

Luiza Lemos

LUIZA LEMOS

09/04/2025 • 12:29 • Atualizado em 09/04/2025 • 12:29

'Tarifaço' de Trump pode causar recessão
'Tarifaço' de Trump pode causar recessão - Foto: Win McNamee/Pool via REUTERS

A disputa tarifária entre os Estados Unidos e países que foram afetados pelo ‘tarifaço’ de Donald Trump causaram o recuo do mercado financeiro global e a queda nas bolsas de valores de todo o mundo.

Só na terça-feira (8), ações ligadas ao minério de ferro e ao petróleo perderam valor e fizeram a Ibovespa - a bolsa brasileira - fechar em queda de 1,32%. A Nasdaq, bolsa de valores de Nova York, recuou em 2,15%. Já do outro lado do mundo, nesta quarta-feira (9), as bolsas asiáticas fecharam em alta, revertendo perdas e com avanço de até 1,77%.

No mercado financeiro, há o receio de uma possível, recessão estar dando às caras com as tarifas impostas pelo governo Trump e as respostas da China e de outros países. Para a economista e professora de MBA da FGV, Carla Beni, é preciso prudência antes de atestar que o mundo irá viver uma recessão econômica.

“A recessão ocorre quando se há dois trimestres consecutivos de queda no Produto Interno Bruto. Se tiver algum mês que o  PIB volte a crescer, não é considerado recessão. Nesse momento, todas as possibilidades devem ser pensadas, é uma nova realidade”, explica.

A economista destaca que as quedas nas bolsas de valores não indicam a recessão, mas sim uma previsão do cenário econômico em um futuro. “Os mercados precificam. Um exemplo é a queda do valor do petróleo, porque se imagina lá na frente uma atividade econômica menor”, pontua.

Caso Trump mantenha essas tarifas e países como a China retaliem com mais taxas, a economista avalia que uma recessão deve ocorrer primeiro nos Estados Unidos. “Para ter uma recessão mundial é uma etapa maior, é preciso ter uma queda na atividade econômica como um todo”, avalia.

‘Investimento de hoje é o emprego de amanhã’

As tarifas, que já causam um temor no mercado, podem levar a paralisação de investimentos de empresas não só nos Estados Unidos, mas também em outros países. Na visão da economista Carla Beni, a perda de confiança é uma dos problemas que o ‘tarifaço’ pode causar.

"Se as empresas paralisarem os investimentos, elas perdem a confiança e isso afeta a população. O investimento de hoje é o emprego de amanhã - Carla Beni."

Com menos confiança das empresas investidoras, menor emprego e aumento de preços nas prateleiras, Carla explica que é possível que os Estados Unidos entrem em recessão econômica, mas só se pode cravar a situação daqui a seis meses.

Classe média americana é a mais impactada pelo ‘tarifaço’

Desde o ‘tarifaço’ de Donald Trump, os mercados globais perderam cerca de US$ 9,5 trilhões em valor de mercado em três dias. Segundo a Bloomberg, as quedas são atreladas à apreensão de investidores com os próximos passos e as retaliações tarifárias.

Mas além do mercado financeiro, a perda –que representa mais de três vezes o PIB do Brasil– afeta principalmente a classe média estadunidense. “O mercado acionário americano é diferente do nosso. A classe média usa as ações na bolsa para sustentar a aposentadoria. Então, quando a bolsa de valores tem uma perda dessas, na verdade, é a população americana que está perdendo o poder de compra para a aposentadoria”, afirma Carla Beni.

Para a economista, quem irá pagar pelo ‘tarifaço’ é a classe média dos Estados Unidos. “Quando ele sobretaxa em 30% um produto, não é o país que paga, é a empresa importadora, que repassa para o produto final. Quem paga imposto somos nós, pessoas físicas”, pontua.

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