Jornalismo

Tarifa de 50% de Trump sobre produtos brasileiros acende alerta; entenda

Brasileiros correram para o Google para entender o que significa a nova taxa, que afeta em cheio a economia nacional

José Florentino

JOSÉ FLORENTINO

10/07/2025 • 17:12 • Atualizado em 10/07/2025 • 17:12

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: REUTERS/Ken Cedeno

O anúncio de que o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , irá impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025 gerou uma onda de incerteza e uma corrida por informações no Brasil.

Nas últimas 24 horas, o interesse de busca sobre tarifa no país foi 198% maior do que nos Estados Unidos, segundo dados do Google Trends .

Veja o gráfico na íntegra aqui:

O temor sobre as consequências da medida se reflete em um interesse recorde dos brasileiros em entender a balança comercial com os norte-americanos.

As buscas por "O que o Brasil importa dos Estados Unidos?" e, principalmente, por "O que o Brasil exporta para os Estados Unidos? " atingiram o maior pico já registrado na série histórica da plataforma, que começou em 2004.

Veja o gráfico na íntegra aqui:

A decisão de Trump promete impactar diretamente setores vitais da economia brasileira e já causa reações no mercado e entre especialistas.

Com dados do Google Trends , a Sala Digital , parceria entre a Band e o Google , responde a algumas das principais dúvidas sobre a decisão do presidente norte-americano nos últimos sete dias.

Como funciona a taxação de Trump?

A medida anunciada por Donald Trump consiste em uma sobretaxa de 50% adicionada ao valor de todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. Na prática, isso significa que um produto brasileiro que hoje custa US$ 100 para um importador americano passará a custar US$ 150 a partir de 1º de agosto de 2025, data programada para o início da vigência.

A taxação visa, segundo o governo americano, proteger a indústria local e corrigir o que Trump considera um desequilíbrio comercial. A medida contra o Brasil é mais severa que as impostas a outros países, como Japão e Coreia do Sul, que foram alvo de tarifas de 25%.

Por que Trump taxou o Brasil?

Em uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Donald Trump, que é do Partido Republicano, justificou a imposição da tarifa citando o que descreveu como "ataques insidiosos do Brasil contra as eleições livres e a violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos".

Além disso, a situação legal do ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem Trump afirmou "respeitar profundamente", foi mencionada como uma "vergonha internacional" e um dos motivos para a sanção comercial.

O apoio de Trump a Bolsonaro não é novo; em setembro de 2022, ele já havia declarado seu "completo e total" apoio à reeleição do então presidente brasileiro.

O que muda com a tarifa de Trump?

A nova tarifa deve afetar diretamente cerca de 12% de todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos, que são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Setores-chave da economia serão duramente atingidos, como a siderurgia, com empresas como Vale e Gerdau enfrentando um aumento súbito nos custos.

O agronegócio, pilar da balança comercial brasileira, também sofrerá o impacto, especialmente os produtores de carnes (bovina, em particular), café e suco de laranja, que temem um colapso nas vendas para o mercado americano.

Economistas alertam que a mudança pode levar a uma queda abrupta na demanda por produtos brasileiros, gerando instabilidade e risco de desemprego.

No cenário macroeconômico, a expectativa é de uma forte pressão sobre o câmbio, com o aumento do valor do dólar em relação ao real, e uma possível alta na taxa de juros pelo Banco Central do Brasil como medida para conter a inflação decorrente.

Qual o impacto das tarifas de Trump?

O impacto econômico para o Brasil é considerado severo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já expressou profunda preocupação, afirmando que a tarifa pode simplesmente inviabilizar as exportações brasileiras para os EUA em diversos segmentos. A perda de receita para as empresas pode se traduzir em menos investimentos e demissões em massa.

Para os Estados Unidos, a medida protecionista pode encarecer produtos para o consumidor final e gerar críticas internas. O prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, por exemplo, classificou a decisão como um "erro político" e chegou a sugerir que seria "motivo para impeachment".

A medida evidencia a postura de Trump, que em entrevista anterior à revista Time, já havia citado o Brasil como um dos países que "ficaram ricos" cobrando tarifas dos Estados Unidos, sinalizando uma visão crítica sobre a relação comercial entre os dois países.

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