Jornalismo

Trump repete com o Brasil o que tentou em Israel

Assim como Trump tentou anistia ao premiê Benjamin Nenatyahu, em Israel, o presidente dos EUA também tenta interferir na política brasileira

Por Redação

REDAÇÃO

10/07/2025 • 15:33 • Atualizado em 10/07/2025 • 15:33

Presidente dos EUA, Donald Trump, participa de uma reunião do Conselho do Atlântico Norte (NAC) durante uma cúpula da OTAN
Presidente dos EUA, Donald Trump, participa de uma reunião do Conselho do Atlântico Norte (NAC) durante uma cúpula da OTAN - Foto: REUTERS/Toby Melville

Faz apenas alguns dias, o presidente Donald Trump pediu a Israel para perdoar o premiê Benjamin Netanyahu, réu em três processos por fraude, suborno e abuso de confiança. Denunciou: “Caça às bruxas”. Chantageou: Os EUA poderiam não mais “salvar Israel”. Exigiu: Cancelamento imediato do processo, iniciado em 2020, mas atrasado inúmeras vezes pelos advogados de Netanyahu.

Como reagiu Israel? A oposição ao governo criticou a tentativa de Trump em interferir em um processo judicial de um país soberano — precedente considerado inadequado e perigoso. Os aliados do governo elogiaram a interferência trumpista, sob o argumento de que o julgamento do primeiro-ministro prejudica o país, ainda mais em momento de guerra. O presidente Isaac Herzog disse que Netanyahu pode, sim, ser anistiado, mas se renunciar, alternativa que lhe foi oferecida durante o processo.

O premiê Netanyahu já foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda, por crimes de guerra, em novembro de 2024. O ex-premiê Ehud Olmert cumpriu pena de 18 meses por corrupção, em 2016. E o ex-presidente Moshe Katsav foi condenado a sete anos de cadeia por estrupo e crimes sexuais, em 2011, e saiu livre depois de cumprir cinco anos, em 2016.

Trump usou sua plataforma Truth Social para defender quem chamou de “herói”, o premiê Netanyahu. Houve a suspeita de que os estariam agindo em coordenação. Se comprovada, agravaria mais a situação, porque, segundo juristas, “configuraria violação criminal por tentativa de influenciar o processo judicial” — o que, talvez, valha também para os Bolsonaro, Eduardo e Jair.

Pressão como a de Trump em processos judiciais em outros países extrapola a diplomacia e desafia o princípio de não-intervenção, base do direito internacional. Mesmo que não dê resultado, influencia o debate público e pode gerar instabilidade política.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: