
Faz apenas alguns dias, o presidente Donald Trump pediu a Israel para perdoar o premiê Benjamin Netanyahu, réu em três processos por fraude, suborno e abuso de confiança. Denunciou: “Caça às bruxas”. Chantageou: Os EUA poderiam não mais “salvar Israel”. Exigiu: Cancelamento imediato do processo, iniciado em 2020, mas atrasado inúmeras vezes pelos advogados de Netanyahu.
Como reagiu Israel? A oposição ao governo criticou a tentativa de Trump em interferir em um processo judicial de um país soberano — precedente considerado inadequado e perigoso. Os aliados do governo elogiaram a interferência trumpista, sob o argumento de que o julgamento do primeiro-ministro prejudica o país, ainda mais em momento de guerra. O presidente Isaac Herzog disse que Netanyahu pode, sim, ser anistiado, mas se renunciar, alternativa que lhe foi oferecida durante o processo.
O premiê Netanyahu já foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda, por crimes de guerra, em novembro de 2024. O ex-premiê Ehud Olmert cumpriu pena de 18 meses por corrupção, em 2016. E o ex-presidente Moshe Katsav foi condenado a sete anos de cadeia por estrupo e crimes sexuais, em 2011, e saiu livre depois de cumprir cinco anos, em 2016.
Trump usou sua plataforma Truth Social para defender quem chamou de “herói”, o premiê Netanyahu. Houve a suspeita de que os estariam agindo em coordenação. Se comprovada, agravaria mais a situação, porque, segundo juristas, “configuraria violação criminal por tentativa de influenciar o processo judicial” — o que, talvez, valha também para os Bolsonaro, Eduardo e Jair.
Pressão como a de Trump em processos judiciais em outros países extrapola a diplomacia e desafia o princípio de não-intervenção, base do direito internacional. Mesmo que não dê resultado, influencia o debate público e pode gerar instabilidade política.
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