
Uma operação integrada da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e da Polícia Militar Ambiental apreendeu 205 aves silvestres e aplicou R$ 566,6 mil em multas ambientais em diferentes regiões do Estado de São Paulo . A força-tarefa, que fiscalizou 45 endereços no litoral, interior e na Região Metropolitana de São Paulo, teve atenção especial voltada ao pixoxó ( Sporophila frontalis ), pássaro considerado prioritário para a conservação da Mata Atlântica e ameaçado nacionalmente de extinção.
A operação foi planejada por um Grupo de Trabalho instituído em maio de 2026 para vistoriar criadores amadores de pássaros, verificando a regularidade das atividades e o cumprimento da legislação ambiental. Das 512 aves fiscalizadas pelas equipes, 95 eram pixoxós, resultando na apreensão de 16 exemplares dessa espécie.
As diligências ocorreram em 45 locais, sendo concluídas em 28 endereços devido a situações como a ausência de responsáveis nos cadastros. No total, os agentes lavraram 11 Autos de Infração Ambiental (AIAs) e 36 Termos de Vistoria Ambiental (TVAs).
Segundo o diretor de Proteção e Fiscalização Ambiental da Semil, André Rocha, o planejamento estratégico permite cruzar informações e identificar alvos prioritários. “A fiscalização planejada permite que as equipes atuem de forma mais precisa, cruzando informações, identificando alvos prioritários e verificando não apenas a documentação, mas também as condições em que os animais são mantidos”, afirma.
Condições irregulares e destinação dos animais
Durante as vistorias, as equipes encontraram irregularidades como gaiolas em péssimo estado sanitário, alimentação inadequada, anilhas falsificadas ou adulteradas, além de aves com lesões temporárias e permanentes. Além do pixoxó, a força-tarefa alcançou outras aves contempladas pelo Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves da Mata Atlântica (PAN), como a cigarra-verdadeira (Sporophila falcirostris) e o bicudo (Sporophila maximiliani).
Os animais apreendidos foram encaminhados ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) de São Paulo e a outras unidades do estado para avaliação e cuidados veterinários.
A diretora de Biodiversidade e Biotecnologia da Semil, Patrícia Locosque, destaca que a apreensão representa apenas a primeira etapa do trabalho de preservação. “Agora começa uma etapa muito importante nos Cetras, com todos os cuidados necessários para garantir o bem-estar dessas aves, sua recuperação e, quando houver condições, o retorno à natureza com saúde e dignidade”, pontua.
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