Jornalismo

O que é o IOF e por que ele está no centro das discussões econômicas?

Brasileiros recorrem ao Google para entender as mudanças no imposto

Alessandra Petraglia

ALESSANDRA PETRAGLIA

29/05/2025 • 20:58 • Atualizado em 29/05/2025 • 20:58

Haddad diz que “não há alternativa” ao aumento do IOF
Haddad diz que “não há alternativa” ao aumento do IOF - Foto: Reprodução/ Agência Brasil

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é um tributo federal que incide sobre uma série de transações financeiras, como empréstimos, compra de moeda estrangeira, investimentos e uso de cartões em compras internacionais. Ele tem uma função dupla: arrecadatória e regulatória. Na prática, além de gerar receita para os cofres públicos, também serve como instrumento de política econômica, podendo ser ajustado para estimular ou frear determinados tipos de operações financeiras.

O assunto voltou aos holofotes nas últimas semanas, após o governo federal anunciar um aumento significativo nas alíquotas do IOF. A repercussão foi imediata, levando muitos brasileiros a buscar explicações na internet. Dados da Sala Digital, uma parceria entre a Band e o Google, mostram que perguntas como “o que é IOF?”, “qual é o aumento do IOF?” e “quais as mudanças no IOF?” estiveram entre as mais buscadas no Brasil nos últimos dias.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o objetivo da medida é reforçar o caixa da União e assegurar o cumprimento da meta fiscal prevista no novo arcabouço fiscal. A estimativa é de uma arrecadação extra de cerca de R$ 20,5 bilhões em 2025, valor que deve dobrar em 2026.

Quais são as mudanças no IOF?

Entre as principais alterações está a unificação da alíquota do câmbio em 3,5%, válida para operações como compra de moeda estrangeira em espécie, uso de cartões internacionais, envio de dinheiro para o exterior e empréstimos externos de curto prazo (com prazo inferior a 365 dias).

No caso do crédito, a alíquota anual para empresas subiu de 1,88% para 3,95%. Micro e pequenas empresas também foram impactadas, embora os MEIs contem com uma alíquota reduzida.A decisão, tomada via decreto, gerou forte reação no Congresso Nacional, que acusa o governo de aumentar impostos sem passar pelo crivo legislativo. Parlamentares deram um prazo de 10 dias para que a equipe econômica, liderada pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad, apresente alternativas. Caso contrário, prometem derrubar a medida. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) também se posicionou contra o aumento, alegando que ele impacta diretamente o custo do crédito, especialmente para micro e pequenas empresas.

O governo, por outro lado, alerta que, se a medida for revertida, será necessário fazer cortes e contingenciamentos no orçamento público.

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