
O jornal New York Times publicou uma investigação que revela como o premiê Benjamin Netanyahu prolongou a guerra em Gaza, hoje com 644 dias e quase 60 mil mortos civis e combatentes, para se manter no poder.
Três repórteres do NYT, baseados em Israel, entrevistaram 110 israelenses, estadunidenses e árabes, reviram documentos e minutas de reuniões, inclusive secretas, além de planos de guerra e arquivos da Justiça. O texto é profundo e extenso, com 10.400 palavras, ou 900 linhas, ou 36 páginas no formato PDF.
O jornal Haaretz extraiu do texto do NYT uma tentativa da Casa Branca de convencer Netanyahu, em 2024, a aceitar um cessar-fogo, então apoiado por 50% dos israelenses. “Não 50% dos meus eleitores”, ele respondeu. As ameaças internas da extrema-direita o convenceram a recuar.
O prolongamento da guerra garantiu a sobrevida da coalizão radical que sustentava o governo no Parlamento. E evitou a convocação de eleições antecipadas, nas quais o premiê Netanyahu estava destinado a perder, segundo as prévias eleitorais. Ao mesmo tempo, retardou a investigação sobre as falhas que permitiram o ataque do Hamas em outubro de 2023, até hoje não realizadas.
Netanyahu ordenou uma alteração nos horários dos telefonemas por linhas seguras em que seus principais militares lhe anunciaram a invasão do Hamas. Ele sustenta que não foi avisado do perigo de uma guerra, desmentido pelas investigações do NYT.
Os jornalistas Patrick Kingsley (chefe da sucursal de Jerusalém), Ronen Bergman (do NYT Magazine em Tel Aviv) e Natan Odenheimer (repórter) concluem que Netanyahu tomou decisões militares influenciado por interesses políticos pessoais, ignorou alertas de inteligência antes da guerra, e preferiu seus aliados radicais ao apoio oferecido pelos moderados da oposição.
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