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"Mounjaro do Paraguai”: veja os riscos de canetas sem regulamentação

Medicamentos injetáveis não aprovados pela Anvisa, versões falsificadas e contrabando expõem consumidores a riscos imprevisíveis

Da redação

DA REDAÇÃO

21/11/2025 • 18:45 • Atualizado em 21/11/2025 • 18:45

Mounjaro e suplementos falsificados são apreendidos em BH; quatro pessoas foram presas
Mounjaro e suplementos falsificados são apreendidos em BH; quatro pessoas foram presas - Foto: Reprodução

O surgimento de produtos de sucesso no mercado é frequentemente seguido pela aparição de réplicas duvidosas e sem confiabilidade. É o que tem ocorrido com as chamadas "canetas emagrecedoras", cujas versões não regulamentadas, muitas vezes apelidadas de " Mounjaro do Paraguai ", estão sendo alvo de intensas apreensões e alertas das autoridades sanitárias no Brasil.

O medicamento em questão, a tirzepatida, tem o nome comercial Mounjaro e é aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de diabetes tipo 2. Contudo, no mercado ilegal, versões contrabandeadas ou falsificadas são vendidas com a promessa de efeitos de emagrecimento.

Operações policiais e o mercado ilegal

Casos de apreensão de canetas emagrecedoras falsificadas ou de origem irregular tornaram-se recorrentes no país.

Em Minas Gerais, por exemplo, apreensões recentes da Polícia Militar Rodoviária envolveram produtos de origem paraguaia. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) recolheu uma carga avaliada em R$ 300 mil contendo frascos do remédio, que estavam escondidos em um compartimento do ar-condicionado de um carro.

Segundo a polícia, os medicamentos haviam sido adquiridos no Paraguai sem recolhimento de impostos. No mercado ilegal, cada ampola desse medicamento pode custar até R$ 200,00.

Outras ações da Polícia Federal (PF) incluem a prisão em flagrante de um casal no Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins, MG) que tentava entrar no país com quase 50 canetas sem regulamentação. A PF informou que a medicação estava oculta entre bebidas alcoólicas, numa tentativa de burlar a fiscalização.

Em maio, a Receita Federal também registrou uma apreensão de 126 canetas injetáveis que seriam vendidas no mercado ilegal. O trajeto da carga era de Assunção (Paraguai) até Foz do Iguaçu (PR), e o objetivo era revendê-las em Natal (RN) e Belém (PA).

Riscos de uso sem regulamentação

A Anvisa exige que canetas emagrecedoras, como o Mounjaro, sejam vendidas apenas com prescrição médica em duas vias, sendo uma retida. O uso de medicamentos sem registro na agência é proibido no Brasil devido à ausência de garantia de segurança, eficácia e qualidade.

O uso de versões irregulares traz riscos "potencialmente sérios e, até certo ponto, imprevisíveis". No caso das versões paraguaias, não há como confirmar a composição real do produto, já que o Paraguai não possui uma agência sanitária robusta como a Anvisa.

Análises feitas em amostras que alegavam ter a tirzepatida revelaram problemas graves, como coloração alterada, presença de impurezas, ausência do princípio ativo ou até mesmo a presença de apenas álcool. Além disso, a simples aquisição desses produtos sem acompanhamento médico criterioso é perigosa.

O diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, Marcio Mancini, afirma que a indicação dessas canetas só deve ser feita após uma avaliação médica rigorosa, que inclua a verificação de outras doenças associadas à obesidade. O uso isolado de remédios, sem orientação médica e apoio multidisciplinar, pode aumentar o risco de piora metabólica.

Os riscos não se limitam à adulteração do medicamento. Por ser injetável, seu uso é individual e não deve ser compartilhado, sob pena de transmissão de infecções graves, como HIV e hepatites virais.

O tratamento com Mounjaro, quando indicado, deve ser integrado a um plano de mudança de estilo de vida, que inclui acompanhamento nutricional, suporte psicológico, prática de atividades físicas e controle de exames laboratoriais.

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