Jornalismo

Eduardo Bolsonaro critica PGR e pede que EUA resgate' tradição de exportadores da democracia'

Deputado federal afirma que investigação é "injusta e desesperada" e apela a Trump e Marco Rubio por sanções a ministros do STF

WESLEY BIÃO

26/05/2025 • 21:58 • Atualizado em 26/05/2025 • 21:58

Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos
Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos - Foto: Reprodução/X/@BolsonaroSP

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou nesta segunda-feira (26) um vídeo nas redes sociais em que reage à abertura de um inquérito contra ele pela Procuradoria-Geral da República (PGR) . A investigação, determinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, apura se a atuação do parlamentar nos Estados Unidos configura o crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, cuja pena pode chegar a 12 anos de prisão.O parlamentar classifica a medida como "injusta e desesperada", acusando o Judiciário brasileiro de atuar seletivamente, conforme a posição política dos envolvidos. Para ele, "o Brasil vive um regime de exceção, onde tudo no Judiciário depende de quem seja o cliente". O deputado compara sua situação com ações realizadas por setores da esquerda no passado, que, segundo ele, não foram objeto de apuração.Afirmando já esperar uma reação das autoridades brasileiras, Eduardo disse que decidiu permanecer nos Estados Unidos justamente por prever uma ofensiva judicial. Ele acusa Gonet de se alinhar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) , a quem chama de "tiranete", e de ser um dos "principais violadores de direitos humanos" do país.“Já sabia que essa seria a reação dos serviçais do regime. Foi justamente por isso que eu fiquei nos Estados Unidos. Gonet, o seu nome é, junto com Morais, colocado como um dos principais violadores de direitos humanos. Você se prestou ao papel sujo e covarde de prender pessoas inocentes na farsa que virou os processos tocados pelo tiranete do Alexandre. Como católico, você deveria se envergonhar”, disse o deputado.O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um apelo direto ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o presidente Donald Trump , para que ignorem o que chamou de “narrativa da esquerda” e imponham sanções a ministros da Suprema Corte.“Os Estados Unidos agora têm uma chance de ouro para resgatar a sua tradição de exportadores de liberdades e democracia, atingindo Morais e a sua quadrilha tirânica com punições exemplares, com o intuito de dar o exemplo aos protótipos de ditadores de outros países, ou mesmo de dentro do Brasil."

Entenda o caso

A PGR pediu nesta segunda a abertura do inquérito por entender que o deputado vem “reiteradamente e publicamente afirmando que está se dedicando a conseguir do governo dos Estados Unidos a imposição de sanções contra integrantes do Supremo Tribunal Federal”.A Procuradoria citou no documento publicações em redes sociais e entrevistas a veículos estrangeiros do deputado federal. "Há manifesto tom intimidatório para os que atuam como agentes públicos, de investigaçãoe de acusação, bem como para os julgadores na Ação Penal", diz a Procuradoria.

Na avaliação de Gonet, se nota motivação retaliatória, que se acena como advertência para a Polícia Federal, PGR e a Suprema Corte. "A ameaça consiste na perspectiva de inflição de medidas punitivas pelo governo norte-americano, que o sr. Eduardo, apresentando-se como junto a ele particularmente influente, diz haver conseguido motivar, concatenar, desenvolver e aprovar em diversas instâncias", diz o pedido. Eduardo Bolsonaro está desde março nos Estados Unidos , quando anunciou a licença do mandato parlamentar para morar no país. Ele afirma que se mudou ao país para "não ser perseguido" e que iria buscar "as devidas sanções aos violadores dos direitos humanos no Brasil".

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