Foi retomado nesta quarta-feira (27) o julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho , e de sua ex-companheira Monique Medeiros , acusados pela morte de Henry Borel , em março de 2021, quando o menino tinha 4 anos. A primeira testemunha do dia foi um médico psiquiatra, que classificou o acusado como “perverso”.
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"Consegui perceber padrão de abuso infantil. Tem padrão de perversidade em infligir dor em crianças”, disse o médico Rafael Bernardon Ribeiro, que foi contratado pelo pai de Henry, Leniel Borel, para traçar o perfil psicológico dos réus. No júri, ele foi chamado pela Promotoria. Leniel faz parte do júri como assistente de acusação.
Jairinho e Monique começaram a ser julgados na segunda-feira (25). No primeiro dia, no entanto, não foram ouvidas testemunhas. A sessão foi marcada por um impasse, após Jairinho pedir novo adiamento , o que acabou não acontecendo.
Ainda durante o depoimento do psiquiatra, o advogado de Jairinho, Rodrigo Faucz, distribuiu um comunicado à imprensa no qual criticou o testemunho . “É um absurdo a oitiva de um médico psiquiatra que, por conta das diretrizes éticas médicas, não poderia sequer se manifestar sobre pessoas que não foram entrevistadas”, afirmava o texto.
Sobre Monique Medeiros, Rafael Bernardon disse que a mulher, ao ser informada sobre agressões sofridas pelo filho, “não teve instinto de preservá-lo”.
A defesa de Monique pediu impugnação do testemunho do médico , também sustentando que ele não poderia traçar perfil psicológico dos réus sem tê-los entrevistados. A juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o Tribunal do Júri, negou o pedido .
Jairinho e Monique eram padrasto e mãe de Henry Borel, respectivamente. Segundo a acusação, os dois foram responsáveis pela morte do menino: Jairinho teria agredido ele, e Monique teria sido omissa diante de um padrão de abuso que, de acordo com o Ministério Público, vinha acontecendo há tempos. Os dois negam.
Outras crianças vítimas
Para traçar o perfil psicológico, Bernardon Ribeiro não teve contato direto com os réus, e analisou depoimentos, entrevistas concedidas por eles e conversou com pessoas que conviveram com os dois. O psiquiatra relatou ter buscado informações com duas mulheres que tiveram relacionamentos com Jairinho e os filhos delas.
Uma delas, Natasha de Oliveira Machado, segundo Bernardon, era amante de Jairinho e manipulada com a promessa de noivado e casamento. Ele relatou que a filha da mulher, de pouco mais de 3 anos na época, contou que teve o braço torcido pelo namorado da mãe e foi orientada por ele a dizer que tinha se machucado em uma aula de jiu-jitsu.
Outro caso do qual tomou conhecimento foi do filho de Débora Mello Saraiva, que teve uma fratura no fêmur, o osso da coxa, além de sessões de pisoteio e de ter a cabeça encoberta. “Padrão de repetição que leva a traçar esse perfil de que a pessoa tem prazer em provocar a dor, tortura, e tem commo público-alvo crianças pequenas”, afirmou o psiquiatra.
Acusação e julgamento
Segundo a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Dr. Jairinho espancou até a morte o menino Henry, enquanto a mãe, Monique Medeiros, se omitiu da responsabilidade, o que levou ao homicídio. De acordo com o Ministério Público, em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairo tinha submetido o menino a sofrimento físico e mental com emprego de violência.
Jairo é acusado de seis crimes : homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima, pelas três torturas praticadas contra criança, fraude processual e coação no curso do processo. Monique responde por sete crimes , entre eles homicídio por omissão qualificado e omissão.
O depoimento das testemunhas deveria ter começado na segunda-feira (25), mas foram adiadas para esta terça-feira após pedido de adiamento e impasse. O ex-vereador destituiu a banca de advogados que o defende da acusação de homicídio após o enfarte do advogado Fabiano Lopes, um dos defensores do ex-parlamentar.
Diante da decisão de Jairinho, o Ministério Público do Rio de Janeiro pediu que o ex-vereador fosse transferido da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), conhecida por abrigar presos de colarinho branco, com ensino superior e de casos de repercussão, para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino (Bangu 1), de segurança máxima e onde se encontram os detentos mais perigosos.
A juíza Elisabeth Machado Louro deu indícios de que adiaria o julgamento e de que poderia atende ao pedido do MP pela transferência de Jairo. No meio da decisão de Elisabeth, no entanto, Jairinho interrompeu a magistrada e constituiu novamente a defesa, incluindo à banca de advogados o próprio filh o, o advogado Luís Fernando Abidul.
O julgamento deve durar de cinco a sete dias, segundo previsão da acusação e da defesa.
Com Agência Brasil
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