A Justiça mandou soltar na última sexta-feira (30) o empresário Igor Sauceda, motorista do Porsche amarelo que perseguiu, atropelou e matou o motociclista Pedro Kaique Ventura , de 21 anos, em julho de 2024 na Avenida Interlagos, em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo.
A notícia foi recebida com surpresa, acompanhada de tristeza, pela família da vítima. “Custei a acreditar diante dos fatos, das imagens, dos vídeos das câmeras de segurança do acidente, comprovando que ele desferiu o carro como arma em cima do meu filho e tirando a vida dele”, declarou Alex Figueiredo, pai da vítima.
Para a família e para a Justiça, o caso foi um homicídio com a intenção de matar. Na época, o empresário foi preso preventivamente. Da audiência de custódia, ele foi direto para a prisão.
Igor Sauceda ficou preso durante dez meses, enquanto o processo corre na Justiça. No texto da decisão que manteve o empresário na cadeia, a juíza chegou a afirmar que ele usou o carro como uma “verdadeira arma” para atingir e matar Kaique. Também cita que o empresário responde por homicídio doloso, quando há intenção de matar, qualificado por motivo fútil.
Já o Ministério Público apresentou a denúncia a Igor por homicídio triplamente qualificado: por motivo banal, cruel, sem chance de defesa da vítima. Tudo se mantém, mas, agora, o empresário vai responder em liberdade.
"“Indignação! Revoltante diante de todos esses fatos levantados. Ele foi preso em flagrante por homicídio e, simplesmente, após dez meses, vai sair pela porta da frente para responder em liberdade. Para mim, isso é uma injustiça”"
A decisão da soltura, segundo a juíza do caso, levou em consideração a falta de provas para sustentar as acusações. Segundo ela, a defesa de Igor não teve acesso a uma perícia técnica no veículo da vítima, o que comprometeu o direito à ampla defesa.
Além disso, a motocicleta de Pedro Kaique foi devolvida à família antes de uma análise judicial mais aprofundada, o que pode ter comprometido a produção de provas relevantes. Também tem o fato do empresário permanecer no local do acidente, prestar esclarecimentos à polícia e a colaboração nas investigações.
Para a família da vítima, a decisão abre um precedente perigoso. “Abre brecha para que outros acidentes que aconteceram de grande repercussão, vai dar uma brecha para que os outros façam a mesma coisa e assim sucessivamente. O sentimento é de impunidade”.
Mesmo em liberdade, o empresário terá que cumprir algumas medidas impostas pela Justiça: teve a carteira de habilitação suspensa, não poderá deixar a cidade de São Paulo por mais de oito dias corridos, terá que comparecer mensalmente ao fórum e usar tornozeleira eletrônica. Ainda não há data marcada para o julgamento.
“Foi um balde na cara. A gente quer que a justiça seja feita. Independente de qualquer situação que ocasionou o acidente, ele tem que pagar pelo erro dele”, finalizou Alex Figueiredo, pai de Pedro Kaique.
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