
Uma mulher, de 39 anos, foi morta por volta das 20h deste sábado (21), na Rodovia Arão Sahm, em Mairiporã. O ex-companheiro da vítima está sendo investigado pelo crime. Segundo duas pessoas que passavam de carro pelo local, a vítima teria sido esfaqueada por um homem momento após a discussão.
"A pergunta que eu costumo fazer é, quantas Máricas, quantas Janainas, quantas Marias, vai ser preciso para que mudem as coisas desse país?", afirmou José Antônio de Paula, pai da vítima.
Janayna Cristina de Paula, de 39 anos, foi morta a facadas enquanto trabalhava na cidade de Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo. Segundo a família, o principal suspeito de ter cometido o crime é o ex-companheiro dela, de 42 anos.
"A minha irmã sempre uma pessoa muito boa, trabalhando muito, não ia atrás dele, estava vivendo a vida dela, criando os filhos, uma mulher muito guerreira", relatou Camila de Paula, irmã da vítima.
Janayna trabalhava vendendo biscoitos e frutas no carro, e em uma banca. O crime aconteceu quando ela estava com o veículo estacionado, por volta das 19h. O filho dela, de 13 anos, fruto de um relacionamento anterior, também estava no local.
Quando o homem aparece, de bicicleta, começa a discutir com a mulher. As pessoas que passavam no local contaram para a polícia que, durante a briga, o criminoso puxou uma faca e golpeou Janayna diversas vezes. Ele ainda tentou atingir o adolescente, mas ele conseguiu fugir.
O homem deixou a vítima no local e foi embora. Janayna chegou a ser levada para uma unidade de saúde, mas não resistiu.
"Fiquei uma hora mais ou menos com ela [antes do crime], conversando, a gente brincando... só que infelizmente a gente nunca sabe quando é a última vez. Se eu imaginasse eu tinha ficado lá para defender a minha irmã. Se é tão covarde, que se tivesse um adulto ele não teria atacado ela", disse.
O relacionamento entre Janayna e o suspeito durou mais de cinco anos. Juntos, eles tiveram uma filha que, hoje, tem seis anos. Há um tempo, a mulher descobriu uma traição e terminou o relacionamento. Desde então, as ameaças quase diárias começaram.
Há mais de cinco anos, Janayna tomou a decisão de se separar do homem, que nunca chegou a aceitar o fim da relação. Durante todo este período, ela procurou a polícia, abriu diversos boletins de ocorrência e também entrou com medidas protetivas, que foram constantemente descumpridas pelo homem.
"Para te falar a verdade ela morava mais na delegacia de Mairiporã que na própria casa dela, porque todo dia ela tinha que fazer um boletim. E no momento que ela estava lá dentro fazendo o boletim ele já estava lá fora ameaçando ela...", disse Nara Isabel, tia da vítima.
O Brasil Urgente teve acesso a um dos boletins de ocorrência feitos por Janayna contra o ex-companheiro. Em setembro do ano passado, ela relatou mais uma ameaça do homem. Segundo ela, o agressor costumava passar no local em que ela trabalhava e a ameaçava verbalmente, além de fazer gestos de arma.
A própria Janayna escreveu: “eu e a minha família estamos sendo perseguidos 24h”. E ainda completa no B.O: “tô vendo a hora que ele vai me matar, e matar meu pai, e as autoridades não vão fazer nada. Só vou ser mais uma para a estatística. Preciso de ajuda”.
Ainda segundo familiares da mulher, o ex-companheiro dela assaltou o comércio da mulher e até começou um incêndio o local. O feminicídio está sendo investigado pela delegacia de Mairiporã.
"Por isso que eu peço socorro, nos ajude. Hoje é a minha família, mas também muitas outras famílias que tem mulheres. A gente não pode mais chorar", completou a tia da vítima.
"Espero que a justiça seja feita, que a Janayna não seja mais uma na estatística. A gente vê passando na televisão e a gente acha que nunca vai acontecer com a gente... e eu falava que deus não me permita passar nunca por uma uma dor dessa”, lamentou a irmã de Janayna.
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