Esportes

Conselho do São Paulo tem maioria para votar afastamento de Casares

Rompimento de grupos da base aliada altera cenário político antes da votação

PAULO DO VALLE

08/01/2026 • 15:33 • Atualizado em 08/01/2026 • 15:33

O São Paulo vive dias decisivos nos bastidores políticos. Com a reunião do Conselho Deliberativo marcada para o dia 14 de janeiro, às 18h30, no Morumbi , o cenário para a votação do possível afastamento do presidente Júlio Casares mudou de forma significativa nas últimas horas. Grupos que integravam a base de apoio da atual diretoria romperam com a chamada Coalização, alterando a correlação de forças dentro do conselho.

A informação foi divulgada pelo setorista Paulo do Valle, da Rádio Bandeirantes. Segundo o levantamento, quatro grupos políticos deixaram oficialmente a Coalização. Juntos, eles somam 125 conselheiros , número expressivo dentro do colégio eleitoral do clube, formado por 255 membros aptos a votar .

Contagem de votos e mudança de cenário

Para que o afastamento de Júlio Casares seja aprovado no Conselho Deliberativo, é necessária uma maioria qualificada de dois terços, o que corresponde a 170 votos . A oposição, que reúne atualmente 54 conselheiros , afirma já haver votos suficientes para alcançar esse número, considerando o rompimento recente de parte da base aliada.

Ainda assim, o cenário segue em disputa. Um dos pontos centrais do debate envolve o formato da votação. Conselheiros protocolaram um pedido formal para que o conselho permita também a participação de membros de forma online, em razão do período de férias e da ausência de conselheiros que estarão fora de São Paulo na data da reunião.

A definição cabe ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, que lidera o grupo político que permanece alinhado à atual gestão. Até o momento, a votação segue prevista para ocorrer de maneira secreta e exclusivamente presencial, conforme estabelecido na convocação oficial.

Acusações e rito do impeachment

O processo de impeachment foi aberto a partir de um pedido protocolado com 57 assinaturas, acima do mínimo exigido de 50. No requerimento, Júlio Casares é acusado de má gestão orçamentária, venda de atletas abaixo do valor de mercado e uso irregular de camarote do clube.

Durante a reunião extraordinária do dia 14, o presidente terá direito à defesa antes do início da votação. Caso o afastamento seja aprovado pelo Conselho Deliberativo, Casares será retirado provisoriamente do cargo.

Em até 30 dias após essa decisão, o São Paulo deverá convocar uma Assembleia Geral de sócios para ratificar ou não o afastamento. Diferentemente do Conselho, nessa instância é necessária apenas maioria simples dos votos.

Parecer consultivo e possíveis desdobramentos

Na última terça-feira (6), o Conselho Consultivo do São Paulo emitiu parecer contrário ao impeachment . O documento não tem caráter vinculante, mas costuma servir como referência política para conselheiros indecisos no momento da votação.

Se o afastamento for confirmado tanto pelo Conselho Deliberativo quanto pela Assembleia Geral, Júlio Casares será banido do quadro social do clube. Em caso de renúncia antes da conclusão do processo, ele manteria assento no Conselho Consultivo, situação semelhante à vivida pelo ex-presidente Carlos Miguel Aidar em 2015.

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