
Uma nova página no automobilismo foi escrita em 6 de abril de 1986: há exatos 40 anos, a Band exibia pela primeira vez para o Brasil uma corrida da Fórmula Indy.
Naquele ano, o canal garantiu exclusividade para a transmissão da temporada da categoria norte-americana, que teve três brasileiros: Emerson Fittipaldi (Patrick), Roberto Pupo Moreno (Galles) e Raul Boesel (Dick Simon Racing). Nomes históricos do automobilismo norte-americano, como Bobby Rahal (Truesports) e Mario Andretti (Newman-Haas) também estariam em ação.
A temporada começou com a Dana 200, etapa no oval de Phoenix que foi transmitida dentro do Show do Esporte . Luciano do Valle narrou a prova, com reportagens de Roberto Cabrini .
Luciano demonstrava otimismo, especialmente com a presença de Emerson Fittipaldi. Ao longo da transmissão, apresentou diversas informações a um público ainda desacostumado às provas em circuitos ovais. Logo na abertura, por exemplo, explicou que os pneus dianteiros tinham diferenças de 15 libras na calibragem entre um lado e outro, “porque você só faz o esforço de um lado”.
Como foi a prova?
Emerson largou da quinta posição, com Moreno em 10º e Boesel em 17º. A primeira fila ficou com a família Andretti, sendo Mario na pole position e Michael em segundo. Logo atrás, Rick Mears (Penske) era terceiro, com Kevin Cogan (Patrick) em quarto. Danny Sullivan (Penske), vencedor das 500 Milhas de Indianápolis em 1985, fechava a terceira fila.
Para se manter entre os líderes ao longo de toda a corrida, Emerson conseguiu escapar de problemas nas primeiras voltas – nomes como Scott Brayton (Hemelgarn), Gary Bettenhausen (Leader Card Racing) e Josele Garza (Machinists Union Racing) se envolveram em acidentes.
No fim, Emerson chegou ao fim da corrida brigando pelo segundo lugar, mas não conseguiu superar Tom Sneva (All American Racers) e terminou em terceiro. A vitória ficou com Kevin Cogan.
Os outros brasileiros não deram a mesma sorte de Emerson. Boesel chegou a andar em oitavo, mas teve problemas e abandonou. Moreno também não escapou dos problemas de câmbio.
Transmissão ganhou destaque
Na segunda-feira (7), a transmissão foi elogiada pela crítica do jornalFolha de S. Paulo, que explicou: o público - tão acostumado à Fórmula 1 - precisaria começar a se adaptar a “uma nova linguagem de automobilismo, que vai exigir paciência de comentaristas e dedicação dos telespectadores”, diante das diferenças entre as duas categorias.
“Para quem se acostumou ao ritmo e ocorrências das habituais dezesseis provas da Fórmula 1 em cada temporada, as novidades da F-Indy sugerem uma complicada sucessão de ultrapassagens, paradas no boxe para troca de pneus e reabastecimento, e monótonos intervalos de calmaria, quando o carro-madrinha entre na pista e dirige o comboio para que sejam reparados os estragos causados pelo acidente mais recente”, analisava o texto assinado por Luiz Fernando Rodrigues.
Elia Jr. relembra cobertura histórica da Indy em 1986
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