
O veredito de um tribunal de Londres determinou que Álex Palou e a Chip Ganassi paguem US$ 12 milhões (mais de R$ 63 milhões em valores atuais) à McLaren por quebra de contrato entre 2022 e 2023, quando a organização de Zak Brown tentou a contratação do catalão para a operação da marca na Fórmula Indy. A informação foi publicada nesta sexta-feira (23) pelo site Motorsport.com.
A decisão é referente a um processo movido pela McLaren contra o piloto e a equipe, e que levou a um julgamento de cinco semanas no fim de 2025. A McLaren pedia uma indenização de US$ 30 milhões (quase R$ 160 milhões) a título de perda de patrocínios e despesas salariais.
Os valores foram reduzidos e restritos à questão dos patrocinadores. De acordo com a decisão judicial, o piloto não terá que pagar valores relacionados às perdas na Fórmula 1 que a McLaren alegou serem consequência da permanência do piloto na Chip Ganassi em vez de se transferir para a Arrow McLaren, a equipe da McLaren na Indy.
“A decisão da corte mostra que as queixas contra mim eram completamente inflacionadas”, afirmou Palou, ainda de acordo com o site. “É decepcionante que tanto tempo e dinheiro tenham sido gastos lutando contra essas queixas, algumas delas consideradas sem valor pelo tribunal, simplesmente porque eu decidi que não pilotaria pela McLaren quando percebi que não teria um lugar na F1 com eles”, completou.
Álex Palou chegou a participar pela McLaren de um treino livre de F1 no GP dos EUA de 2022, terminando na 17ª colocação. Além disso, integrou a academia de formação de pilotos da McLaren em 2023, ano em que conquistou o segundo dos quatro títulos na Fórmula Indy (2021, 2023, 2024 e 2025) pela Chip Ganassi.
Segundo Palou, a McLaren não foi prejudicada pela questão “porque eles ganharam (patrocinadores) do outro piloto que me substituiu”. O espanhol afirmou que avaliará as opções a respeito.
O empresário Chip Ganassi, proprietário da equipe que leva o próprio nome na Indy, afirmou que Palou contara “agora e sempre” com o apoio da organização. “Conhecemos seu caráter como piloto e a força de nosso time, e nada muda isso. Embora respeitemos o processo legal, nosso foco está onde deve estar: nas corridas, nas vitórias e em fazer o eu esta equipe sempre fez de melhor”, disse.
McLaren x Chip Ganassi: entenda disputa por Palou
A história começa em julho de 2022, quando a McLaren anunciou a contratação de Álex Palou . Em 2023, o espanhol correria pela operação da equipe na Indy, ao mesmo tempo em que testaria carros da F1.
No entanto, o catalão era titular da Chip Ganassi, que havia anunciado pouco antes que exerceria uma opção contratual para renovar o compromisso com Palou até o fim de 2023 – originalmente, o acordo iria até o fim de 2022. Contrariado, o piloto comunicou nas redes sociais que não pretendia permanecer no time. O caso foi parar nos tribunais.
Em setembro de 2022, as partes anunciaram um acordo que garantia Álex Palou correndo pela Ganassi em 2023, mas com liberdade para trabalhar normalmente pela McLaren na Fórmula 1. Naquele ano, o catalão estreou na F1 participando de uma sessão de treino livre do GP dos Estados Unidos .
Em 2023, Palou foi anunciado como piloto reserva da escuderia caso Lando Norris ou Oscar Piastri precisassem se ausentar de provas. Em junho, Palou chegou a testar o modelo MCL21 (da temporada 2021) com Piastri na Hungria.
Mas veio nova reviravolta. Em agosto de 2023, inesperadamente, o espanhol avisou à McLaren que não pretendia honrar o compromisso com a organização, tanto na Indy quanto na F1. As conversas originalmente eram privadas, mas vazaram. O CEO da organização, Zak Brown, não gostou, e o nome do catalão voltou aos tribunais.
“Temos um contrato, então agora entramos com um processo legal contra ele na última semana nos tribunais de Londres, como pessoa física e como pessoa jurídica. Deixaremos os procedimentos legais conduzirem a situação daqui para frente”, afirmou Brown durante o fim de semana do Grande Prêmio da Holanda, segundo declarações reproduzidas pelo jornal Daily Mirror.
“Tínhamos uma boa relação. Ele pessoalmente não conversou comigo, o que é um pouco decepcionante diante de tudo que fizemos por ele e das oportunidades que demos. Não acho que sua decisão tem algo a ver com a McLaren, já que nossa relação era muito forte.”
“Então, estou decepcionado por ver como Álex conduziu isso a nível pessoal. Nossa relação com nossos pilotos é algo que a McLaren leva muito a sério, e acho que fazemos um bom trabalho criando um ambiente familiar para nossos pilotos. Uma decepção dessas é bastante frustrante”, completou Brown.
Inicialmente, Álex Palou evitou declarações a respeito da situação, mas rompeu o silêncio recentemente para comentar a situação. Nos comentários, Palou apenas se esquivou e não deu pistas sobre seu futuro, mantendo o mistério. No começo de agosto, o catalão era especulado em equipes da Fórmula 1 como Williams e AlphaTauri (atualmente Racing Bulls).
“Talvez um dia eu escreva um artigo, talvez um livro, e todo mundo saberá o que aconteceu em 2022 e 2023, a cada mês. Mas, por enquanto, não vou dar muitas declarações”, disse, de acordo com o site PlanetF1. “Talvez depois da temporada eu possa sentar e explicar um pouco mais. Acho que não ajudaria ninguém se eu fizesse isso agora.”
O piloto da Chip Ganassi afirmou que vinha conversado com advogados e que tentando se manter distante das questões judiciais para poder se concentrar apenas nas corridas. “Sei de tudo que está acontecendo e não me afasto disso, mas não há nada que eu possa fazer, digamos”, resumiu.
“Ele demonstrou na Indy e conosco que é um piloto completo, mas não tenho mais certeza se um dia veremos isso (na Fórmula 1)”, vaticinou Zak Brown à época.
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