Esportes

Beber leite nas 500 Milhas: como o hábito de Louis Meyer virou tradição?

Imagem do vencedor das 500 Milhas de Indianápolis bebendo leite nasceu por acaso em 1936

GABRIEL ALBERTO

23/05/2026 • 04:15 • Atualizado em 23/05/2026 • 04:15

A História do Leite na Indy 500
A História do Leite na Indy 500 - Foto: Indy

O vencedor das 500 Milhas de Indianápolis beber uma garrafa de leite é apenas uma das tradições da prova mais rápida do planeta. Porém, a suaorigem é, na verdade, simples.

Apenas porque um competidor de Nova York sentiu muita sede após correr por cinco horas e resolveu seguir o bom e velho conselho de mãe em um calor de 50º C em Indiana.

1936: O improviso refrescante

Em 1936, Louis Meyer estacionou o carro número 8 no Círculo da Vitória. Ele estava exausto após se tornar o primeiro piloto a vencer a prova três vezes. Em vez de erguer uma taça de champanhe, Meyer pediu o líquido que sua mãe apontava como o melhor remédio para os dias quentes: uma garrafa de leite de manteiga (buttermilk).

Enquanto levantava três dedos da mão direita para celebrar o feito histórico, a mão esquerda segurava o frasco de vidro. Meyer dizia ter bebido o produto também na vitória de 1933, mas a falta de fotos impediu a confirmação. Os vencedores de 1934 (Bill Cummings) e 1935 (Kelly Petillo) ignoraram o hábito.

O marco definitivo veio com o registro em vídeo de 1936, feito por um cinegrafista do telejornalMovietone News. Um executivo da indústria de laticínios viu a cena nos cinemas e pediu que o produto estivesse disponível em todas as edições seguintes. A sugestão funcionou de 1938 a 1941, e também em 1946, no primeiro evento após a Segunda Guerra Mundial.

1947: O veto e a era da "Água do Wilbur"

A tradição sofreu uma interrupção drástica a partir de 1947. O empresário Tony Hulman comprou o autódromo deteriorado e colocou Wilbur Shaw no cargo de presidente do complexo. Shaw, dono de três vitórias na pista (1937, 1939 e 1940), decidiu abolir a presença do leite na cerimônia de premiação.

No lugar da garrafa de vidro, Shaw entregava aos vencedores uma taça de prata com água gelada. O objeto exibia uma gravação que batizou o período:"Água do Wilbur". O protocolo estendeu-se até a edição de 1954. Em outubro daquele ano, Shaw morreu em um acidente de avião particular, o que abriu caminho para a retomada do antigo costume por parte dos empresários do setor de laticínios.

1956: O retorno definitivo por 400 dólares

O leite retornou ao Círculo da Vitória em 1956, impulsionado por um acordo comercial. A indústria transformou o gesto em um prêmio extra: o piloto que bebesse o líquido no pódio recebia um bônus de 400 dólares, e o mecânico-chefe ganhava 50 dólares. O primeiro a faturar o prêmio foi Pat Flaherty.

Desde então, o ritual nunca mais deixou o autódromo. A entrega da garrafa virou um evento coordenado pela Associação Americana de Laticínios de Indiana. Dois fazendeiros participam da festa: o veterano faz a entrega oficial ao piloto, enquanto o "novato" distribui os frascos ao dono da equipe e ao mecânico-chefe. Este auxiliar anota os detalhes porque assume a função principal no ano seguinte.

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