
No automobilismo, um troféu serve para premiar uma vitória, ou até mesmo um pódio, mas apenas um confere a imortalidade para um piloto. O Borg-Warner, desde sua criação, se tornou o objeto de desejo para todo o vencedor das 500 Milhas de Indianápolis.
A primeira disputa da Indy 500 aconteceu em 1911 , 24 anos antes do surgimento da “Lenda de Prata”. Desde o surgimento da prova, diversas tradições, como beber leite, beijar a linha de chegada ou até mesmo o hino "Back Home Again, são parte de toda a festa. Porém, o troféu Borg-Warner é um monumento vivo.
Uma regra rege: um ano, um rosto. No entanto, em 1924 e em 1941, o destino e o regulamento da época permitiram que dois pilotos compartilhassem o mesmo carro, a mesma vitória e o mesmo espaço no troféu.
1924: Joe Boyer e L.L. Corum
O ano de 1924 marcou a introdução de uma novidade técnica na equipe Duesenberg: o supercompressor centrífugo. Era o primeiro dispositivo do gênero em um veículo americano. Fred Duesenberg, o chefe do time, precisava de alguém que testasse o componente até o limite para salvar a estrutura financeira da escuderia. Esse homem era Joe Boyer.
Boyer não corria por dinheiro. Nascido em uma família abastada, ele era parente de William Seward Burroughs, o inventor da máquina de somar. Seu pai presidia a lucrativa companhia. O jovem era um esportista completo, cavaleiro e velejador, que comprou seu espaço na Indy ao investir 27 mil dólares na equipe dos irmãos Chevrolet anos antes.
Naquela edição de 1924, Boyer largou em quarto com seu carro vinho e assumiu a liderança logo na primeira volta. Duas voltas depois, uma chaveta do supercompressor quebrou. Frustrado, ele recolheu o carro aos boxes. Restava na pista apenas o outro Duesenberg da equipe, pilotado por L.L. Corum, um piloto regular que ocupava a quarta posição.
Desesperado pela vitória, Fred Duesenberg chamou Boyer e ordenou a troca de pilotos na volta 112. Corum. Na volta 177, Boyer superou Earl Cooper e cruzou a linha de chegada na corrida mais rápida da história até então. Como o prêmio de 30 mil dólares era irrelevante para sua fortuna, Boyer entregou todo o dinheiro a Corum, que tinha esposa e filhos.
1941: Floyd Davis e Mauri Rose
Dezessete anos depois, o cenário de compartilhamento de volante se repetiu sob o comando do proprietário de carros Lou Moore. Ele inscreveu três bólidos para a prova de 1941: um Maserati e dois Wetteroth-Offenhauser. O piloto principal da equipe era Mauri Rose, um engenheiro de Columbus, Ohio, que trabalhava para empresas como Allison Engineering e Studebaker.
Rose encarava o automobilismo como uma atividade secundária. Ele passava o mínimo de tempo possível na pista de Indianápolis, o suficiente apenas para ajustar o carro e garantir a vaga no grid. Ele preferia sua rotina de engenheiro às longas semanas de treinos no circuito. Mesmo assim, obteve a pole position com o Maserati naquele ano.
Durante a corrida, o motor do Maserati falhou após 60 voltas. Doze voltas depois, Moore ordenou que Rose assumisse o outro carro da equipe, o Wetteroth-Offy número 16, que era conduzido por Floyd Davis de forma constante, mas discreta.
Rose assumiu o cockpit na 14ª posição. Conhecedor do carro, com o qual terminara em terceiro lugar no ano anterior, ele iniciou uma recuperação veloz até alcançar a liderança e vencer a prova. Davis e Rose foram declarados co-vencedores.
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