
Para o mundo da Fórmula Indy, o mês de maio é mês mais importante do ano. Assim que os ponteiros marcam dia primeiro, o foco vira todo para as 500 Milhas de Indianápolis. E bem, como a prova é única, ela tem as suas peculiaridades e tradições, até mesmo dentro das pistas.
Desde a sua primeira edição, realizada em 1911, a tradicional prova norte-americana acumula episódios de pilotos marcadas por frustrações e glórias. Em 2026, o evento realizado no lendário oval de 2,5 milhas (4,02 quilômetros) ganha contornos ainda mais especiais. Por isso, o Esporte na Band separou algumas curiosidades sobre as 500 Milhas.
Resiliência no asfalto
A história da Indy 500 exibe pilotos que superaram graves lesões físicas pouco antes de alcançarem o sucesso no percurso. Em 1991, Rick Mears quebrou o pé durante os treinos livres, mas se recuperou a ponto de cravar a sua sexta pole position — recorde vigente até os dias atuais — e conquistar a sua quarta vitória (após os triunfos de 1979, 1984 e 1988), igualando a marca máxima da prova.
Cinco anos mais tarde, em 1996, Buddy Lazier sofreu uma fratura na coluna em março durante a etapa de Phoenix. Apenas dois meses depois, em maio, o piloto norte-americano venceu a corrida em Indianápolis.
Mais recentemente, em 2025, o veterano Takuma Sato repetiu o roteiro de superação: aos 48 anos, após destruir o carro e fraturar uma costela em um impacto de 94G nos testes de abril, o japonês alinhou na segunda posição do grid e liderou 50 voltas da disputa.
Os dois lados da moeda para os brasileiros
Os representantes do Brasil viveram momentos de extrema consagração e também de forte desilusão no circuito. No ano de 2003, Gil de Ferran fraturou duas vértebras em março, ficou de fora da corrida de abril e retornou em maio para vencer a Indy 500 em sua última participação no evento.
Em 2009, Hélio Castroneves enfrentou um julgamento por fraude fiscal nos Estados Unidos, recebeu a absolvição em abril e, no mês seguinte, conquistou a pole e a vitória, o que o tornou o maior vencedor brasileiro da prova. Já em 2013, Tony Kanaan superou uma luxação de ligamentos na mão direita sofrida em Long Beach para vencer as 500 Milhas em sua 12ª tentativa, após anos de contratempos.
Por outro lado, o oval de Indiana também reservou decepções severas. Raul Boesel tinha o carro mais veloz da edição de 1993 com a modesta equipe Dick Simon, porém duas punições contestáveis o jogaram para o quarto lugar. Em 2008, Vitor Meira realizou uma ultrapassagem sobre Scott Dixon e o retardatário Ed Carpenter em uma relargada, mas Dixon recuperou a ponta e deixou o brasileiro em segundo lugar — Meira e Boesel encerraram suas carreiras sem vitórias na prova.
A frustração atingiu Castroneves em 2014, quando Ryan Hunter-Reay o ultrapassou a duas voltas do fim. O brasileiro reagiu, mas levou o troco e perdeu o tetracampeonato por apenas 0s110, na segunda menor diferença da história da competição.
A mística da data e as grandes tradições
A data de 24 de maio já serviu de cenário para outras edições históricas da prova. Em 1987, Al Unser Sr. estava sem carro até 11 dias antes do evento.
Ele substituiu o lesionado Danny Ongais na Penske com um chassi reserva que servia de exposição no saguão de um hotel, largou em 20º e venceu para se tornar um dos mais velhos a triunfar, igualando as quatro vitórias de A.J. Foyt Jr.
Em 1992, o filho, Al Unser Jr., venceu a prova pela menor diferença da história do circuito: apenas 43 milésimos de segundo sobre Scott Goodyear, piloto que largou em 33º e último após substituir o companheiro Mike Groff. Naquela mesma corrida, o pai Al Unser iniciou o mês desempregado, assumiu a vaga de Nelson Piquet após o grave acidente do brasileiro nos treinos e ainda cruzou a linha de chegada na terceira posição.
O gole de leite: O vencedor tem por tradição beber uma garrafa de leite logo após a corrida. O costume começou com Louis Meyer em 1936, que pediu um copo de leite de manteiga (buttermilk) gelado para se refrescar após o triunfo.
O Troféu Borg-Warner: Com 1,62 metro de altura, a valiosa peça de prata esterlina traz o nome e a face de cada vencedor gravados em relevo. O troféu já possui mais de 100 retratos e precisou de aumento em duas oportunidades para acomodar os novos campeões.
A corrida mais longa: Em 2004, a chuva interrompeu a disputa por três vezes, o que gerou a transmissão televisiva mais longa da história do evento, com uma duração total de 8 horas e 22 minutos.
Consumo nas arquibancadas: O volume de público gera estatísticas curiosas. Se todos os cachorros-quentes e salsichas (bratwurst) vendidos no dia da corrida fossem alinhados, eles dariam mais de três voltas completas ao redor do circuito oval.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
