Fórmula E

Como é o trabalho que a Fórmula E faz para atrair mulheres à categoria

Com testes femininos, categoria quer estimular permanentemente a presença de mulheres no automobilismo; a longo prazo, espera equilibrar a balança de gênero no grid

EMANUEL COLOMBARI

15/10/2025 • 18:16 • Atualizado em 15/10/2025 • 18:16

Não é de hoje que as mulheres pedem mais espaço no automobilismo. Se categorias como a F1 Academy e a antiga W Series chegaram para promover grids exclusivamente femininos, outras competições ainda engatinham nesta questão.

A Fórmula E tem trabalhado para equilibrar esta conta.

Em 2024, a categoria elétrica promoveu pela primeira vez um teste exclusivamente feminino, escalando nomes como Jamie Chadwick , Beitske Visser , Tatiana Calderón , Marta García , Abbi Pulling , Chloe Chambers , Nerea Martí , Alisha Palmowski , Alice Powell , Bianca Bustamante e Ella Lloyd , entre outras. Em 2025, uma nova edição do teste está marcada para 31 de outubro, na pré-temporada.

Se a oportunidade não abriu portas no grid da F-E, cada vez mais restrito, serviu para aproximar as pilotas das equipes. Abbi Pulling foi contratada pela Nissan para trabalhar em testes e simuladores (e estará de volta no teste de 2025), enquanto Bianca Bustamante virou pilota de desenvolvimento da Cupra Kiro .

E é esta a ideia da Fórmula E. Em entrevista coletiva no mês de junho, o espanhol Alberto Longo , diretor-geral da categoria elétrica, defendeu a presença constante de mulheres em atividades oficiais da competição.

O objetivo, segundo ele, parte do princípio de “seguir dando oportunidades a grupos que não estão representados no esporte a motor”.

Combatendo 'o grande handicap'

Com a realização de eventos como os testes femininos, a ideia da F-E é oferecer chances para estimular permanentemente a presença de mulheres no automobilismo desde a infância, ainda na base da pirâmide. A longo prazo, o dirigente acredita que a Fórmula E poderá ajudar a equilibrar a balança de gênero no automobilismo, o que daria às mulheres mais oportunidades - e, com elas, a possibilidade de brigar por resultados competitivos.

“Neste caso, estamos trabalhando com as mulheres. Nosso objetivo não é dar uma oportunidade pelo fato (de serem mulheres). Não, não. Queremos que haja mulheres que sejam competitivas ao máximo nível no mundo do esporte a motor, e entendemos que esta oportunidade se faz durante um longo período de tempo para isso, para que se façam muito competitivas”, disse Alberto Longo.

“No momento em que cheguem ao grid, serão capazes de vencer corridas e até campeonatos. É muito difícil de fazer isso. Por quê? Apenas uma em cada cem licenças que são pedidas no mundo é dada para uma mulher”, acrescentou.

Na conta de Alberto Longo, se apenas 1% das vagas no automobilismo internacional é ocupado por mulheres, as chances de uma delas ser competitiva são naturalmente pequenas. Mas se elas passarem a ocupar mais vagas nas categorias de formação com o passar do tempo, a tendência é resolver o que ele classificou como “o grande handicap”.

“O grande handicap que temos na primeira parte da vida de fãs do automobilismo, dos 6 aos 14 anos, é que a grande maioria é de pilotos masculinos. É muito difícil que saia uma (mulher) e ganhe dos outros 99 (homens)”, analisou.

“Para mim, o fundamental é fazer este esporte cada vez mais atrativo, para que cada vez haja mais mulheres que se aproximem mais cedo do esporte, para que possam treinar em igualdade de condições com todos os homens”, concluiu.

Dentro e fora das pistas

Ao longo da história, a Fórmula E teve mulheres no grid apenas nas duas primeiras temporadas: Simona de Silvestro , Katherine Legge e Michela Cerruti . No entanto, basta acompanhar um E-Prix para encontrá-las em diversas outras funções, como engenheiras , médicas e jornalistas.

Em 2025, Letícia Datena estreou na cobertura oficial da Fórmula E. Para ela, a categoria tem respondido ao crescimento do público jovem e feminino que diversas competições têm registrado.

“A Fórmula E é uma categoria muito atual, jovem, tem apenas 12 anos, e a gente sabe da necessidade, da importância de ter mais mulheres no automobilismo. Não é um trabalho fácil, a gente sabe que culturalmente o automobilismo sempre foi muito mais masculino – são os meninos que nascem brincando de carrinho, e não as meninas”, analisa a jornalista.

“Essa realidade já está mudando, e a Fórmula E tem um papel fundamental. Até porque, se não me engano, 48% ou 49% da audiência da Fórmula E é feminina. A gente vê também na Fórmula 1 esse movimento da chegada de mais fãs, de mais meninas, e elas têm que se sentir representadas”, completou.

Temporada de 2026 da Fórmula Indy

O calendário da temporada 2026 da Fórmula Indy contará com 17 etapas e será disputado entre 1º de março e 6 de setembro. A corrida de abertura acontece em no tradicional GP de St. Petersburg, na Flórida, nos Estados Unidos.

Etapa mais aguardada, a 110ª edição das 500 Milhas de Indianápolis está agendada para 24 de maio.

O calendário da Indy inclui seis circuitos ovais, cinco corridas de rua e seis circuitos mistos.

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