Fórmula E

De Drugovich a barulho dos carros: uma conversa com Letícia Datena sobre Fórmula E

Jornalista fala sobre as experiências na cobertura da categoria elétrica, sobre brasileiros no grid e dá palpites para a temporada

Por Redação

REDAÇÃO

09/10/2025 • 12:45 • Atualizado em 09/10/2025 • 12:45

Letícia Datena: "Eu não duvido nada que o Drugovich chegue no final do campeonato brigando pelo título"
Letícia Datena: "Eu não duvido nada que o Drugovich chegue no final do campeonato brigando pelo título" - Foto: Martins Angle

O público brasileiro que curte a Fórmula E ganhou uma ótima novidade em 2025: a presença de Letícia Datena na cobertura oficial da categoria.

A jornalista estreou na reta final da temporada 2024/2025, no E-Prix de Berlim, em julho. Logo de cara, um presentão: uma rodada dupla com três brasileiros no grid, já que Lucas di Grassi (Lola Yamaha Abt) ganhou as companhias de Felipe Drugovich (Mahindra) e Sérgio Sette Câmara (Nissan) na capital alemã.

Em pouco tempo, Letícia se encontrou, e viu que a F-E pode ser absolutamente imprevisível - um fator a ser comemorado por quem gosta de automobilismo e que pode surpreender até mesmo quem já se acostumou com outras categorias.

“A gente vê muita mudança de liderança - muitas, muitas mesmo em uma corrida, inúmeras ultrapassagens. É meio louco. Você vê a sequência dos pilotos ali na na tela e vai mudando toda hora. O primeiro E-Prix que eu fui cobrir, em Berlim, eu fiquei anotando quem estava liderando em tal curva. Passaram 10 curvas, eu falei: ‘Não, esquece, esse modelo não vai funcionar na Fórmula E’”, contou a repórter em entrevista à coluna.

De lá para cá, muita coisa já mudou na Fórmula E. Nomes como António Félix da Costa e Taylor Barnard mudaram de equipes, e o próprio Felipe Drugovich foi contratado - o paranaense será titular da Andretti ao lado de Jake Dennis.

E olha, não estranhe se Drugo chegar já brigando entre os primeiros colocados. Para Letícia Datena, o público tem motivos para estar otimista com o estreante.

“Em todos osrookie testsque ele participou, se eu não me engano, ele foi mais rápido. Chegou em Berlim e conseguiu pontuar. E vai chegar com uma p… energia, gente”, analisou. “Eu vi ele muito motivado. Eu não duvido nada que o Drugovich chegue no final do campeonato brigando pelo título.”

A gente bateu um papo com a Letícia Datena sobre a Fórmula E. Sobre as impressões da cobertura, sobre os brasileiros, sobre a temporada 2024/2025… E, é claro, sobre o barulho dos carros. Confira:

Grid - Como jornalista, como você sente a abertura da Fórmula E para cobertura em comparação com outras categorias?

Letícia Datena - Eu diria que ela é intermediária. Aqui no Brasil a gente tem a Stock Car - ali você entra nos boxes a hora que você quiser, inclusive durante a corrida. E na Fórmula 1 você não tem acesso nenhum, é super difícil. Eu fui na primeira etapa da temporada de Fórmula 1, no GP da Austrália. Eu conheço o Gabriel Bortoleto há muito tempo, conheço a família… E não consegui entrevistá-lo.

A Fórmula E tem mais abertura. Você tem a flexibilidade de pegar um piloto e tentar entrevistá-lo no calor do momento, depois de um quali, sem marcar uma entrevista. Mas você ainda tem que passar preferencialmente por esse processo [de solicitar entrevistas]. Não interessa se eu conheço o Drugovich ou se conheço o Lucas di Grassi. O correto é falar com o assessor de imprensa, aí o assessor de imprensa fala com a com a equipe também. Mas quase 100% das pautas são liberadas.

Grid - Você falou do Drugovich, e você estreou na cobertura junto com a estreia do Drugovich, no E-Prix de Berlim (2024/2025). Como você sentiu essa chegada dele na categoria?

LD - Eu fiquei muito feliz. Primeiro que esse evento que você está falando de Berlim foi a minha primeira cobertura. Eu falei: "Gente, que sorte que eu tenho”. Na minha primeira cobertura eu tenho três brasileiros na pista: o Sérgio Sette Câmara, o Lucas di Grassi e o Drugovich. Naquele momento, eu não coloquei muita fé que o Drugovich viria mesmo (para a Andretti). A gente sabe que ele estava em negociação, tentando o máximo ainda lá na Fórmula 1, todas as suas cartas na manga, mas eu fiquei muito feliz de ele vir para a Fórmula E. A gente sabe que um piloto que tem o peso do Drugovich tem opções; então, ele escolheu. Eu tenho certeza que ele tinha abertura em outras categorias também, e ele escolheu vir para a Fórmula E.

Acho que vai ser muito bom, muito positivo, apesar da gente ter o Lucas di Grassi, que é uma figura importante. Ele nunca faltou em nenhuma corrida. E é importante para o esporte brasileiro ter essa renovação também. Quanto mais brasileiros no grid é melhor para gente. O público brasileiro tem que se identificar com essa categoria - que é nova, que é jovem, que só está no Brasil há quatro anos. Eu acho que é sensacional.

Grid - O barulho dos carros ou a falta de barulho dos carros é sempre uma questão que o pessoal argumenta bastante. Como você avalia o som do carro nesse debate?

LD - Eu, como jornalista, estou achando ótimo. Porque, olha, vou te falar uma coisa: esse negócio de ter que ficar procurando janela de silêncio para gravar é complicado. Ainda mais em um fim de semana de Stock Car, por exemplo. Você tem várias categorias juntas, é muito difícil. Então acho que tem vários pontos positivos.

Obviamente, tem ospetrol heads, tem toda uma mentalidade de pessoas que ainda gostam do ronco dos motores. Eu também gosto, mas acho que é uma categoria diferente. Não me incomoda não ter barulho, desde o ponto de vista de fã de automobilismo. Como eu falei, é uma categoria muito única, muitas coisas são diferentes.

E aí tem um outro lado: me aprofundando um pouco mais na categoria, conversando com os pilotos, eles têm uma relação diferente com o carro, eles conseguem sentir melhor o pneu, a aderência, eles conseguem escutar o barulho de tudo que acontece com o pneu. Então também traz uma experiência sensorial diferente, um desafio extra para os pilotos.

Eu acho que a questão do barulho é isso: vai ter gente que vai sempre reclamar porque já está acostumado, já tem omindset, já tem anos e anos seguindo o automobilismo tradicional. Essa é a primeira categoria e a mais importante de carros 100% elétricos, e tudo que é novo gera um estranhamento ou gera uma certa resistência. Acho que é uma coisa natural.

(Nota: O termo “petrol heads”, ou “cabeça de combustível” em inglês, define o público apaixonado por carro. Como a expressão está vinculada aos motores a combustão, ajuda a definir também um público com certa rejeição à Fórmula E, uma vez que os motores da categoria são elétricos e não usam combustíveis fósseis.)

Grid - O Oliver Rowland parecia não estar entre os favoritos da temporada, mas teve uma sequência de resultados muito forte e levou o título. O que você achou dessa conquista dele?

LD - Eu achei sensacional. Eu gosto muito quando você nunca sabe quem vai ganhar. Por exemplo, Fórmula 1 é sensacional. Fãs de Fórmula 1,don't get me wrong, acho ótima, adoro a categoria, sou fã também, mas ali a gente já sabe meio que no começo da temporada que tem um ou dois, no máximo três, que podem vencer, né? E a gente sabe quem é o favorito nos últimos anos.

Na Fórmula E, você nunca tem noção de quem vai ganhar a corrida. Largar na pole position não quer dizer nada. Em muitos circuitos é ruim, até pela questão do vácuo. A gente vê muita mudança de liderança - muitas, muitas mesmo em uma corrida, inúmeras ultrapassagens. É meio louco. Você vê a sequência dos pilotos ali na na tela e vai mudando toda hora. O primeiro E-Prix que eu fui cobrir, em Berlim, eu fiquei anotando quem estava liderando em tal curva. Passaram 10 curvas, eu falei: ‘Não, esquece, esse modelo não vai funcionar na Fórmula E’.

Resumindo: eu achei sensacional. Eu acho que esse é um grande atrativo da categoria, de cada ano ter um campeão diferente - só teve um repetido, que foi o Jean- Eric Vergne (2017/2018 e 2018/2019). Isso é muito positivo, traz aquele tempero a mais de disputa, de imprevisibilidade. Para o esporte é sensacional.

Grid - E para encerrar, você falou de imprevisibilidade, e a gente não quer mureta. Quais são seus palpites para a temporada 25/26? Quem você acha que vem forte, que tem condição de disputar título, que vem crescendo? O que você consegue antever dessa próxima temporada?

LD - Eu acho que eu fiquei bem impressionada com o desempenho do Nick Cassidy. Eu acho que, ali no final da temporada que eu participei de fato, ele mostrou muito serviço na pista, então eu acho que ele é um forte candidato. O Pascal Wehrlein também bateu na trave, foi até o final, mas realmente o Rowland estava imbatível. E, cara, eu vou dizer: por que não um Drugovich? O cara é muito bom. Ele teve uma punição lá em Berlim, então largou um pouco mais de trás, mas conseguiu pontuar na primeira corrida dele.

Para você ter uma noção, eu lembro o Caio Collet, que era piloto de testes da Nissan e, para mim, é um dos maiores talentos que tem no automobilismo. Ele é um piloto que segura muito bem tudo que você dá para ele. Não é à toa que ele está ali testando de Indy. E quando ele teve a oportunidade de correr um E-Prix, ele falou assim: "O negócio é muito louco, é muito difícil, é completamente diferente de tudo que a gente tá acostumado".

E o Drugovich, em todos osrookie testsque ele participou, se eu não me engano, ele foi mais rápido. Chegou em Berlim e conseguiu pontuar. E vai chegar com uma p… energia, gente. O cara não corre uma temporada inteira de nada como piloto titular desde 2022, quando foi campeão da Fórmula 2.

Eu perguntei isso para ele, eu fui a primeira a entrevistá-lo depois desse anúncio da Fórmula E. Falei: "Cara, como é que é estar no controle de novo? Agora você pode vencer ou perder um campeonato". Ele falou: "É isso que faltava para mim, era essa motivação”. Eu vi ele muito motivado. Eu não duvido nada que o Drugovich chegue no final do campeonato brigando pelo título.

Temporada de 2026 da Fórmula Indy

O calendário da temporada 2026 da Fórmula Indy contará com 17 etapas e será disputado entre 1º de março e 6 de setembro. A corrida de abertura acontece em no tradicional GP de St. Petersburg, na Flórida, nos Estados Unidos.

Etapa mais aguardada, a 110ª edição das 500 Milhas de Indianápolis está agendada para 24 de maio.

O calendário da Indy inclui seis circuitos ovais, cinco corridas de rua e seis circuitos mistos.

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