
A Fórmula E teve o seu primeiro campeonato disputado em 2014 e teve como primeira corrida o E-Prix de Pequim, na China, vendido por Lucas Di Grassi na ocasião . Após 12 temporadas, apenas uma prova tem o direito de afirmar que está presente no calendário desde o início: Berlim.
Diferente de traçados convencionais ou das ruas apertadas de Mônaco e Londres, o Aeroporto de Tempelhof é palco do E-Prix da capital da Alemanha.
Abandonado para voos comerciais desde 2008, o gigante de concreto ganhou um novo significado como parque e até pista de corrida.
Porém, 90 anos atrás, nascia como um dos principais símbolos da Alemanha Nazista.
Muito antes da Fórmula E
Construído entre 1936 e 1941 com base nos planos do arquiteto, Ernst Sagebiel. Tempelhof foi projetado para ser o epicentro da aviação do Terceiro Reich, com um design que remete a uma águia de asas abertas.
Sua estrutura é única no mundo pela integração total de hangares, check-in e administração em um único edifício algo único para década de 30.
Contudo, a Segunda Guerra Mundial interrompeu sua função civil. Durante o conflito, o aeroporto foi utilizado pela empresaWeser Flugzeugbaupara montar bombardeiros Junkers Ju 87 "Stuka" e caças Focke-Wulf Fw 190.
Além disso , Tempelhof também foi utilizado como campo para exploração de milhares de trabalhadores forçados de países ocupados, como a União Soviética, Polônia e França.
Após a tomada pelas forças soviéticas em 1945 e a subsequente transferência para a Força Aérea dos EUA, o aeroporto virou o centro da aviação comercial na Alemanha. Entre 1948 e 1949, tornou-se o coração da ponte aérea de Berlim , servindo como linha vital de suprimentos para a cidade.
O tráfego civil oficial retornou em 1951, e o atual saguão principal foi concluído apenas em 1962. Mesmo após seu descomissionamento oficial em 30 de outubro de 2008 , o espaço nunca ficou vazio: hoje abriga escritórios de polícia, empresas, sets de filmagens de Hollywood e funciona como um vasto parque público e centro de exposições.
O futuro é na terra e elétrico
No dia 25 de maio de 2025, a Fórmula E pisada pela primeira na Alemanha com 20 carros (ou 40, se for considerar os pit-stops na época) para o mais novo E-Prix de Berlim. Jérôme D'Ambrosio saiu como vencedor, com Sébastien Buemi em segundo e Loïc Duval fechando o pódio.
Porém, como é a preparação de um lugar com 380 a 400 hectares recebe uma corrida? O circuito de Tempelhof é montado inteiramente sobre as placas de concreto originais do pátio de aeronaves.
Ao contrário do asfalto liso das cidades, o concreto de Tempelhof é extremamente abrasivo e irregular. Isso gera um desgaste de pneus sem precedentes, forçando as equipes a repensarem suas estratégias de gerenciamento de borracha e energia.
Outro ponto é a criatividade. Na época em que o aeroporto foi anunciado como palco, Oli McCrudden , diretor de desenvolvimento da Fórmula E, destacou que o uso de espaços abertos permite uma liberdade criativa que as ruas públicas não oferecem.
Outro ponto é a questão de sustentabilidade da Fórmula E. Não apenas dos carros, mas sim da organização do evento. A natureza dos carros da Fórmula E permite que a corrida ocorra em áreas sensíveis e até parcialmente cobertas pelos grandes hangares, se necessário.
Assim como no London E-Prix, toda a estrutura de hospitalidade das equipes, oE-Villagee as garagens são montadas e desmontadas de forma a não deixar rastros permanentes no monumento histórico.
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