
Uma das diversões de quem assisteF1: o filmeé encontrar detalhes reais e referências históricas na tela.
Os detalhes reais são fáceis e conhecidos de antemão. Os pilotos e as equipes do grid de 2023 estão ali, então boa parte do longa se desenrola em meio a disputas contra Max Verstappen , Lewis Hamilton , Charles Leclerc , Sergio Pérez e outros nomes. Nomes conhecidos da Fórmula 1, como Zak Brown e Frédéric Vasseur , têm até algumas falas curtas.
Mas e as referências históricas?
A principal delas é uma velha conhecida do público: o acidente de Martin Donnelly .
Durante os treinos livres para o Grande Prêmio da Espanha de 1990, em Jerez de la Frontera, Martin Donnelly sofreu um acidente assombroso, que encerrou sua carreira na Fórmula 1.
Na ocasião, o irlandês da Lotus vinha em um trecho de alta velocidade quando sofreu uma repentina quebra de suspensão. Donnelly escapou da pista e atingiu o muro a cerca de 260 km/h. A batida não foi filmada, mas a transmissão da época registrou o que se passou imediatamente depois do acidente.
As cenas eram desoladoras.
A Lotus havia se partido ao meio, abrindo o cockpit. Martin Donnelly caiu do carro, mas ainda preso ao assento. Desacordado no asfalto, com a perna fora do lugar e o braço estendindo.
Ninguém olhando aquele cenário poderia imaginar que o irlandês sobreviveria, mas ele sobreviveu.
Levado de helicóptero a um hospital em Sevilha, Martin Donnelly foi diagnosticado com fraturas na clavícula e nas duas pernas, além de concussão e lesões pulmonares – na pancada, engoliu a língua e teve dificuldades para respirar enquanto desacordado. Internado, foi colocado em coma induzido. Sofreu duas paradas cardíacas. Mas conseguiu se recuperar.
Donnelly escapou da amputação da perna direita. Aos poucos, conseguiu voltar a andar. Nunca mais voltou à Fórmula 1, mas chegou a testar uma Jordan de novo em 1993. Até chegou a disputar provas em outras categorias desde então, mas o último registro em competições foi uma participação em uma etapa do BTCC (Campeonato Britânico de Carros de Turismo) em 2015.
Em 2019, precisou da ajuda financeira de amigos para evitar a amputação da outra perna – desta vez, a esquerda, em decorrência de um acidente de moto que sofreu. A campanha arrecadou mais de 55 mil libras (mais de R$ 407 mil em valores atuais).
Se você já viu o acidente de Martin Donnelly, reconhece na hora as imagens quando assiste aF1: o filme. Não por acaso, o irlandês recebe um agradecimento especial logo no início dos créditos que encerram o longa.
(Atenção: a partir de agora, o texto traz spoilers.)
O filme conta a história de Sonny Hayes ( Brad Pitt ), um piloto norte-americano que volta à Fórmula 1 em 2023 para salvar a equipe APX GP , que sofre com a falta de resultados e vê a situação financeira se complicar.
Hayes havia deixado a Fórmula 1 três décadas antes, após sofrer um grave acidente no Grande Prêmio da Espanha de 1993. Na ocasião, disputava uma posição com a McLaren de Ayrton Senna quando perdeu o controle do carro, escapou da pista e acertou com violência um muro à esquerda – circunstâncias parecidas com o que aconteceu em 1990.
As cenas posteriores ao acidente de Sonny Hayes utilizam as gravações da época do acidente de Martin Donnelly. A produção teve o cuidado de mudar as cores do capacete azul e laranja de Donnelly. De resto, são as mesmas imagens: o carro partido, o piloto preso ao assento, a Benetton que se aproxima do local da batida.
Referências no filme
Além do resgate das imagens do acidente de Martin Donnelly, é possível associar algumas imagens deF1: o filmecom alguns episódios conhecidos.
O principal deles é acidente de Joshua Pearce ( Damson Idris ), companheiro de Sonny Hayers, no Grande Prêmio da Itália. O voo do carro lembra a tragédia de Jean-Pierre Sarti ( Yves Montand ) no fim deGrand Prix(1966), mas com uma pitadinha deDriven(2001).
(Aliás, um pedido de desculpas aqui: não lembro quem me mandou as imagens, mas o acidente em questão no filme é muito parecido com o que Alex Peroni sofreu em 2019, na Fórmula 3, também em Ímola . Muito mais do que as batidas cenográficas citadas. Achei que valia o mea-culpa aqui por não ter lembrado do acidente real em questão.)
No incêndio do carro de Pearce, impossível não lembrar do acidente de Romain Grosjean ( Haas ) no GP do Bahrein de 2020. E ao ver Hayes parar para resgatar o companheiro, o público mais experiente deve ter associado com a cena de David Purley ( LEC Refrigeration ) tentando resgatar Roger Williamson ( March ) do carro em chamas no GP da Holanda de 1973.
Joshua Pearce fica entre a vida e a morte, mas se recupera e volta depois de três corridas – assim como Niki Lauda ( Ferrari ) fez em 1976. A ponto de brigar pela vitória na última corrida.
E por falar em última corrida...
No GP de Abu Dhabi 2023 que fecha o filme, Sonny Hayes se envolve em um acidente com George Russell a poucas voltas do fim, provocando uma relargada. Com pneus novos, Hayes – com o carro reconstruído – e Pearce disputam a vitória com Lewis Hamilton até o fim.
Como se esquecer do acidente de Nicholas Latifi ( Williams ) no GP de Abu Dhabi de 2021, que deixou para a última volta da última corrida do campeonato a decisão do título entre Lewis Hamilton e Max Verstappen?
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