Fórmula 1

'F1: o filme' mistura entretenimento com Fórmula 1 e atrai os dois públicos (contém spoilers)

Longa tem premissa irreal e licenças poéticas consideráveis, mas entrega diversão e boas cenas de disputas

EMANUEL COLOMBARI

18/06/2025 • 17:39 • Atualizado em 18/06/2025 • 17:39

Longa conta a história de Sonny Hayes, interpretado por Brad Pitt que volta à F1 já veterano para salvar equipe
Longa conta a história de Sonny Hayes, interpretado por Brad Pitt que volta à F1 já veterano para salvar equipe - Foto: Divulgação

Olhe a temporada 2025 da Fórmula 1 e imagine o seguinte cenário:

A Alpine perde Franco Colapinto para outra equipe e precisa correr atrás de um substituto. Então, a cúpula da escuderia decide contratar ninguém menos que Jean Alesi , que volta à F1 aos 61 anos, mais de duas décadas após a última corrida no grid. Só que o francês é protagonista de uma reviravolta impressionante no time da Renault, que deixa a lanterna do Mundial de construtores, passa a brigar regularmente com pontos e fecha o ano vencendo o Grande Prêmio de Abu Dhabi.

Aceite ou não, esta é a história deF1: o filme.

No longa dirigido por Joseph Kosinski , o protagonista é Sonny Hayes ( Brad Pitt ), um piloto veterano que volta à Fórmula 1 para salvar a falimentar APX GP a convite do dono da equipe, Ruben Cervantes ( Javier Bardem ). Hayes e Cervantes foram companheiros de equipe na F1 no início da década de 1990, quando a trajetória do norte-americano se encerrou prematuramente em decorrência de um gravíssimo acidente no GP da Espanha de 1993 .

Hayes chega desacreditado, e coloca dúvidas na equipe sobre seu potencial logo no primeiro teste: consegue superar seu companheiro de equipe, o insolente Joshua Pearce ( Damson Idris ), mas sofre um acidente. Mesmo assim, e à revelia de boa parte dos funcionários, Cervantes banca a presença do veterano.

(Aliás, é importante lembrar a presença de Lewis Hamilton como um dos produtores do filme. É impossível não notar a diversidade dentro da APX GP, com papéis fundamentais divididos entre integrantes de diferentes gêneros e etnias, algo que a F1 e outras categorias ainda buscam.)

Aos poucos, a aposta se paga. Com métodos pouco ortodoxos (para falar o mínimo), Sonny Hayes consegue levar a APX GP a ganhar terreno no pelotão. Ao mesmo tempo, tem participação fundamental no construção da confiança dentro da equipe – não apenas com Joshua Pearce, mas também com a insegura mecânica Jodie ( Callie Cooke ). Tudo isso enquanto engata um flerte com a diretora técnica do time, Kate McKenna ( Kerry Condon ).

O desfecho, é claro, você já entendeu, né?

Para quem assiste em busca de entretenimento,F1: o filmeentrega o esperado. O longa é feito sob medida para divertir, com cenas empolgantes e uma trajetória que se encaixa bem na Jornada do Herói - para o público que curteDrive to Survive, por exemplo, é um prato cheio. O único porém: para os olhos leigos (talvez principalmente para eles), alguns efeitos especiais em cenas de corrida parecem exagerados.

Para o público da Fórmula 1 em si, o filme talvez fique devendo um pouco. Os pilotos e as equipes reais são quase sempre figurantes e as licenças poéticas são consideráveis – Sonny Hayes tem superlicença? E os pilotos da APX correm sem balaclava? Esse cara não toma punições?

Mesmo assim, até o público mais ranzinza vai se divertir com alguns detalhes deF1: o filme, especialmente a respeito da dinâmica nos bastidores de uma equipe, entre reuniões, estratégias e conversas via rádio. Ah, e vale também pescar referências reais da história da categoria em alguns pontos do longa.

Assista para se divertir. Afinal,F1: o filmenão é um documentário.

F1: o filme estreia nos cinemas brasileiros em 26 de junho.

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