
A temporada 2026 da Fórmula 1 começa neste fim de semana com o GP da Austrália , mas o clima na Aston Martin não é nada bom. Após enfrentar sérios problemas nos testes de pré-temporada com a nova unidade de potência da Honda, o novo carro, o AMR26, projetado por Adrian Newey , pode nem completar a prova em Melbourne.
Ao longo das décadas, a F1 acumulou histórias de times que nasceram de sonhos grandiosos, mas que muitas vezes nem chegaram a ver a glória. Por isso, o Band.com.br relembrou algumas das piores equipes que já passaram pelo grid e que tiveram a sua história melancólica.
Modena Team
O projeto nasceu em torno de um motor Lamborghini V12, desenvolvido por Mauro Forghieri, histórico engenheiro da Ferrari, que estreou no GP do Brasil de 1989 com a Larrousse. Porém, Fernando González Luna, líder do conglomerado GLAS (González Luna y Asociados), queria montar uma equipe oficial da Lamborghini na Fórmula 1, depositando US$ 20 milhões.
O projeto seria apresentado durante o GP do México de 1990. Porém, a GLAS, nada mais, nada menos, era uma empresa de fachada para um esquema de tráfico de drogas de González. Antes mesmo da equipe lançar, o empresário foi preso pela Interpol.
O projeto seguiu adiante sob o nome de Modena Team, em referência à cidade italiana que abrigava tanto a base da escuderia quanto a sede da marca esportiva FILA.
O carro estreou em 1991 e teve como melhor desempenho um sétimo lugar conquistado por Nicola Larini no Grande Prêmio dos Estados Unidos, disputado em Phoenix, no Arizona. Porém, no fim do ano, com apenas seis GPs disputados, o time de Mauro Forghieri estava endividado.
A equipe até tentou se equilibrar para disputar o campeonato em 1992, mas não aconteceu. Sem apoio financeiro e até parceria com a própria Lamborghini, a Modena Team foi obrigada a completar a temporada para evitar multas da FIA e ao fim de 1991, fechou as portas.
EuroBrun
A EuroBrun nasceu no fim de 1987 a partir da união entre Walter Brun, proprietário da Brun Motorsport, equipe campeã do Mundial de Endurance, e a Euroracing, empresa italiana que havia gerenciado a equipe oficial da Alfa Romeo entre 1982 e 1985, na F1.
O objetivo era claro entre as duas equipes: estabelecer uma estrutura sólida e duradoura na Fórmula 1 a partir da temporada de 1988. Para estreia na categoria, o time apresentou o ER188, projetado por Mario Tolentino e equipado com o motor Cosworth DFZ V8 aspirado.
O 11º lugar conquistado no Grande Prêmio da Alemanha, no circuito de Hockenheimring , em Hockenheim, foi a melhor posição do time no ano. Já em 1989, as condições pioraram e a operação foi reduzida para apenas um carro. O novo ER189 atrasou no desenvolvimento e conseguiu e o feito de não se classificar para nenhuma corrida da temporada.
Ao término do ano, a Euroracing deixou a sociedade, tornando Walter Brun o único responsável pelo projeto. Determinando a continuar, Brun levou a equipe para 1990 com o ER189B atualizado e dois pilotos: o brasileiro Roberto Moreno e o italiano Claudio Langes.
Moreno protagonizou atuações notáveis diante das limitações técnicas, conseguindo superar a pré-classificação em Phoenix e na Hungria. No GP dos Estados Unidos, terminou em 13º, mesmo resultado obtido posteriormente na Hungria, naquele que seria o melhor desempenho da equipe em sua história.
Ao fim de 1990, sem recursos para manter a operação e sem perspectivas de evolução técnica, a EuroBrun encerrou definitivamente suas atividades.
Life
Idealizada por Ernesto Vita, a Life é considerada por muitos como a pior equipe da história da Fórmula 1. O time saiu do papel em 1989, quando o empresário comprou a ideia do antigo desenhista da Ferrari, Franco Rocchini e a First Racing, equipe da F3000, planejou sua chegada à F1.
Nascido de um chassi de segunda mão e com um motor W12, o Life L190 tinha diversos problemas crônicos, como o de superaquecimento do propulsor. Mesmo assim, fez a sua estreia na primeira pré-qualificação do ano, para o Grande Prêmio dos Estados Unidos, em Phoenix.
Gary Bhabham, filho do tricampeão mundial de Fórmula 1 , Jack Bhabham, virou 2min07s147, uma volta que foi 40 segundos mais lenta que pole de Gerhard Berger, da McLaren. O carro era tão lento que, em Mônaco, por exemplo, registrou tempos apenas dois segundos melhores que os da Fórmula 3.
Mesmo após trocar para os motores Judd CV V8, o desempenho não melhorou e a equipe abandonou o campeonato ainda em 1990. Em um ano na categoria, a Life acumulou 14 fracassos em pré-qualificações, o que a classifica como a pior da história.
Andrea Moda
Adquirida por Andrea Sassetti após a falência da Coloni, a equipe Andrea Moda fez a sua estreia na Fórmula 1 em 1992.
A equipe tentou utilizar versões modificadas do Coloni C4B e inscreveu os italianos Alex Caffi e Enrico Bertaggia como titulares. Ao chegar a Kyalami, na África do Sul, para a abertura da temporada, foi informada pela FIA de que deveria pagar a taxa de inscrição destinada a novas equipes. Sassetti alegou ser apenas sucessor da Coloni, mas como não adquiriu formalmente a inscrição da antiga escuderia, ficou fora da primeira etapa.
No GP do México, a taxa foi quitada, mas novos problemas impediram a estreia. A equipe optou por abandonar os antigos C4B e adotar dois chassis S921, derivados de um projeto originalmente encomendado pela BMW à Simtek. Como os carros não ficaram prontos a tempo, a Andrea Moda novamente não participou da etapa. A crise interna levou à saída de Caffi e Bertaggia, substituídos pelo brasileiro Roberto Moreno e pelo britânico Perry McCarthy.
A estreia efetiva aconteceu no GP do Brasil. Porém, o carro não passou da pré-qualificação e Pupo teve tempos idênticos aos que a F3 Sul-Americana alcançava na época e 15 segundos pior que o resto.
O capítulo final ocorreu na Bélgica. Sem necessidade de pré-qualificação, a equipe participou diretamente do treino classificatório, mas ambos os carros ficaram fora da corrida. Durante o fim de semana em Spa-Francorchamps, Andrea Sassetti foi detido por questões judiciais alheias à operação esportiva, agravando a crise institucional.
Menos de duas semanas depois, a FIA excluiu oficialmente a Andrea Moda do campeonato de 1992 por conduta considerada prejudicial à imagem da categoria.
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