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"Protagonismo negro em Dona Beja não é invenção", diz autor de remake

Daniel Berlinsky revela que pesquisa histórica para a nova novela da Band mostra a existência de negros livres e ricos no Brasil do século XIX.

Da redação

DA REDAÇÃO

06/03/2026 • 02:12 • Atualizado em 06/03/2026 • 02:12

O autor Daniel Berlinsky defendeu o rigor histórico na construção dos personagens deDona Beja, novela que estreia nesta quinta-feira (05), na Band. Em entrevista ao programa "Noite Especial Dona Beja", o roteirista destacou que a presença de negros em posições de prestígio e poder na trama não é um recurso de ficção, mas um reflexo da realidade brasileira do século XIX.

"A questão dos personagens negros em lugares de poder na novela não é invenção. A gente foi atrás de pesquisas", afirmou o autor. Berlinsky utilizou dados demográficos para embasar a narrativa, citando que o censo de 1872 já indicava que três em cada quatro negros no Brasil não viviam mais sob regime de escravidão.

Autor do remake diz que quer jogar refletor em negros bem-sucedidos em Dona Beja

Para o autor, a abordagem da novela serve como uma provocação ao que é tradicionalmente ensinado nas escolas. Ele avalia que o público não está acostumado a ver esse tipo de representação, pois o ensino brasileiro costuma focar apenas no período do cativeiro, ignorando a experiência do povo negro livre na época.

"Essa foi a provocação que recebemos: mostrar a experiência do povo negro fora do cativeiro. Fomos pesquisar e descobrimos que existiam muitos, e é sobre eles que quisemos jogar o refletor", explicou, citando que o objetivo é fugir do que já foi mostrado em outras obras de época.

A trama apresenta famílias negras estruturadas e bem-sucedidas, algo que o autor descreve como uma realidade da época que precisa ser contada. Um dos núcleos centrais conta com personagens que são advogados e que investem na formação dos filhos em centros acadêmicos de elite.

"A gente vê uma família feliz que existia assim. Manda o filho para estudar na Europa para se formar advogado. É uma família de advogados que lutam pela liberdade", comentou Chris Flores.

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